EDITORIAL

Luzes para o Teatro Vasques

Pregam os materialistas absolutos que toda história tem começo igual; afinal, ainda não se descobriu um novo jeito de dar luz a uma criança – assim como países foram descobertos. A diferença está em quem as educou, no primeiro caso, e quem os colonizou no segundo. A sequência histórica determinará as oportunidades e a capacidade de aproveitá-las.

Pobre Mogi das Cruzes que vive, hoje, a exata dimensão disso. Num caso específico, que se compara a Santos. A diferença cronológica não é significativa. São apenas 20 anos.

Comecemos por Santos onde, em 1882, fundou-se o Teatro Guarany. Aqui, o Teatro Vasques surgiu a partir de uma ideia consolidada em 1902. Lá como cá, decorrente de iniciativa de cidadãos apolíticos e empreitada com recursos privados.

Lá como cá, o teatro teve momentos de glória e períodos de decadência. Cá, a decadência se deu principalmente após 1935 quando, depois de um período de ostracismo, o prédio, já descaracterizado, foi ocupado pela Câmara Municipal. Os protagonistas do teatro artístico deram lugar aos protagonistas do teatro do absurdo. Lá, a decadência chegou ao ápice em 1981, quando um incêndio deixou de pé apenas as paredes laterais do prédio e consumiu todo o seu interior.

Em Santos, uma ação da Prefeitura, em conjunto com empresas privadas e apoio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, permitiu a total reconstrução do prédio histórico, obra concluída no final de 2008. Incluiu trabalhos de alvenaria, cobertura e hidráulica, colocação de batentes, portas e janelas; reconstrução do ‘foyer’ (hall de entrada) e recuperação da fachada. Ar-condicionado, elevador, mobiliário e acessibilidade para todos os três pavimentos (plateia e dois andares de camarotes) para deficientes, completaram o projeto.

Por aqui, o Teatro Vasques segue com pouco uso, sem perspectiva de resgatar sua memória, em reverência aos que lhe deram luz. Como a uma criança: todas nascem iguais, a diferença está em quem se responsabilizou por seu desenvolvimento.


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