EDITORIAL

Mais cinza do que verde

Os resultados do plantio das 50 mil mudas de árvores prometidas pelo projeto de arborização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente serão conhecidos ao final desta década. O ciclo de crescimento das espécies tem relógio próprio e enfrenta adversidades como o vandalismo. Desde 2017, assegura o governo municipal, 25 mil mudas estão germinando no solo da cidade, em áreas públicas e privadas. É matemática: a Prefeitura terá que trabalhar triplicado para fazer em dez meses o que levou três anos para atingir metade do objetivo lançado pelo prefeito Marcus Mello.

Impossível, não. Mas, vejamos. Boa parte dessas 25 mil especíeis deverá ser plantada pela população que retira ou ganha as mudas cultivada no viveiro municipal. Rastrear essa semeadura e o sucesso do plantio é algo dificílimo. Já no espaço público, a tarefa é um pouco mais simples, mas requer recursos materiais e humanos para conferir o desenvolvimento das plantas e combater o vandalismo.

Embora algum sucesso possa ser observado, a maior parte da nossa Mogi ganhou no passado e está ganhando mais concreto e asfalto do que árvore e jardins.

O Plano Municipal da Mata Atlântica mostra a desigualdade histórica entre bairros planejados e com terrenos maiores, como a Vila Oliveira, e Jundiapeba, um dos pontos mais pobres em cobertura vegeral. A temperatura é mais agradável onde há mais verde. Tudo isso os olhos veem quando se percorre Mogi de leste a oeste.

É preciso gabaritar e acelerar os esforços para tornar Mogi mais bonita e confortável para se viver. O ritmo do combate ao quadro atual é lento, muito lento. Faltam ávores em espaços públicos, conscientização popular (a maior parte da cidade são terrenos e casas), fiscalização dura às novas construções que precisam sair do papel com áreas permeáveis como jardins, e incentivos claros e atraentes ao cidadão que terá de quebrar uma parte do quintal de cimento para plantar um ipê, um jacarandá, uma pintangueira, um limoeiro…


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