ATENDIMENTOS

Mais de 7,7 mil faltam a consultas da rede básica de saúde de Mogi das Cruzes

SERVIÇO Gestão do Hospital Municipal, localizado em Braz Cubas, sofreu mudança recentemente. (Foto: arquivo)
SERVIÇO Gestão do Hospital Municipal, localizado em Braz Cubas, sofreu mudança recentemente. (Foto: arquivo)

No mês de julho, mais de 7,7 mil pacientes deixaram de comparecer a consultas da rede básica de saúde de Mogi das Cruzes. O número representa 22% de todos os agendamentos realizados no mês. No entanto, na maioria desses casos, as vagas não conseguem ser preenchidas, então os horários acabam sendo desperdiçados. A Secretaria Municipal de Saúde realiza atualmente um levantamento desses números, a fim de verificar quais alternativas devem ser adotadas para minimizar as abstenções, que impactam diretamente no tempo médio para a realização de uma consulta.

Segundo os dados da pasta, o maior percentual de faltas está nos atendimentos odontológicos, que chega a 60%. Em seguida aparece a abstenção de puérperas – mulheres até 45 dias após o parto – que é de 44%. No caso do clínico, que é a especialidade mais ofertada na cidade, o percentual é de 24%. (veja quadro)

O secretário municipal de Saúde, Francisco Bezerra, avalia que isso prejudica o funcionamento da saúde na cidade, porque outras pessoas que precisam do atendimento poderiam usufruir do agendamento. “Além disso, aumenta o tempo para consulta. Na odontologia, por exemplo, nós poderíamos ter um prazo de seis dias, mas hoje está em 25 dias. Esse levantamento está sendo feito em toda a rede básica. E vamos tentar fazer um trabalho diferenciado para que não ocorra isso”, destacou.

Em entrevista a O Diário, o secretário comentou ainda a situação dos funcionários da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Alto do Ipiranga, que estão sem receber o pagamento de agosto, bem como as verbas rescisórias. Isso porque o contrato com a Organização Social Pró-Saúde terminou em 23 de agosto último e a Cejam assumiu no dia 25. O quadro de funcionários foi mantido, mas não houve pagamento pela OS.

“Todo o recurso de pagamento dos funcionários está depositado no banco. A gente repassa o dinheiro para que eles façam os pagamentos, mas esse pagamento de agosto eles não puderam usar, porque o contrato já havia finalizado, então a Prefeitura já enviou ofício ao banco para pegar o valor e realizar o pagamento da rescisão e o salário de agosto. Isso deve ser resolvido nos próximos dias”, pontuou.

Já em relação aos colaboradores da Pró-Saude que estavam no Hospital Municipal de Braz Cubas e que ainda esperam pelo pagamento, Bezerra diz que é realizado um levantamento dos valores e a Prefeitura fará o acerto.

“Na verdade, a Prefeitura está pagando aquilo que tem de dívida em relação à empresa. Mas pelos contratos antigos, quem deveria ter feito isso há muito tempo seria a empresa. Depois está devendo tanto e o município acertaria as contas. Nós não podemos fazer pagamento nenhum se não tem o levantamento”, destalhou.

Também está em fase de transição o Consórcio Regional do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Cresamu), formado por seis municípios da região. A OS Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde assume no próximo dia 15. Para quitar as verbas com os funcionários, de acordo com o secretário, cada município está analisando os cálculos passados pela Pró-Saúde. “A Prefeitura deve repassar o valor do salário entre hoje e amanhã (quarta e quinta)”, destacou.

Apesar de todas as últimas situações vividas no município com as organizações sociais, o secretário avalia que elas ainda são o modelo mais em conta e fácil de trabalhar. Isso porque para contratar funcionários, a Prefeitura precisa fazer concurso e o processo geralmente é longo. Já com a OS, ela pode contratar médicos com mais rapidez.

“Temos que melhorar e adaptar os contratos, de modo que quando chegar ao fim, que não tenhamos esse problema. E que não use, durante o período de contrato das empresas, esse valor que é repassado a elas, porque este valor é para pagar os funcionários”, diz.

Bezerra falou ainda que também estão em andamento os estudos para levar a unidade do Pró-Criança, hoje na avenida Prefeito Carlos Ferreira Lopes, para a rua Santana – onde funcionou a Unimed – a fim de aumentar o espaço e melhor acomodar os pacientes. O equipamento é atualmente o que mais atende pacientes de outras cidades. A situação, inclusive, já foi tema de discussões no Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat).

“A tendência é fazer uma saúde mais regional, com o repasse o estado para quem atende mais. Mas a população que vem de outras cidades até Mogi também poderia cobrar pelo serviço no seu município”, finaliza.

Relação de consulta agendada e de falta no mês de julho de 2019 em Mogi
Especialidade Marcados Finalizados Faltosos % falta
Clínico 7626 5330 1802 24%
Clínico retorno 5008 3909 794 16%
Ginecologia/Obstetrícia 3474 2403 972 28%
Ginecologia retorno 1980 1590 339 17%
Pré-Natal 2006 1502 250 12%
Pré-Natal de alto risco 308 245 61 20%
Pré-Natal enfermeiro 468 467 0 0%
Puerpério 258 136 113 44%
Pediatria 3382 2030 1014 30%
Pediatria retorno 3131 219 56 29%
Puericultura (RN) 938 672 192 20%
Odontologia 1173 4267 1223 69%
Odontologia retorno 4227 3101 947 22%
Total 33979 25871 7763