EDITORIAL

Mais um fato excepcional

A decisão de dom Pedro Luiz Stringhini, bispo diocesano de Mogi das Cruzes, de suspender em definitivo a programação cultural e folclórica da Festa do Divino de Mogi das Cruzes corresponde à responsabilidade e liturgia exigida a alguém que ocupa o cargo de condutor da Igreja Católica na Região do Alto Tietê. Segue o caminho contrário do que se vê em algumas instâncias do poder, como o próprio bispo comentou em nossa edição de ontem.

Ao que se sabe, pela segunda vez em 400 anos a parte cultural e religiosa não acontecerá. A primeira vez foi durante alguns anos, após a Segunda Guerra Mundial, segundo apurou uma das pesquisas feitas sobre o tema pelo professor e historiador Jurandyr Ferraz de Campos [1936-2019].

A parte religiosa se manterá pelas redes sociais, com a transmissão das celebrações pelas redes sociais e internet.

Fonte de aglomeração de milhares de pessoas em peças motrizes da programação como as novenas, quermesses, alvoradas, passeatas noturnas e a Entrada dos Palmitos, a alternativa de se adiar para uma data no segundo semestre quebraria um dogma religioso, que é a celebração do Espírito Santo para os católicos, e colocaria em risco a vida dos devotos.

Ainda não se sabe o que virá no segundo semestre em todo o mundo por causa da circulação do novo coronavírus. Perspectivas positivas falam de uma vacina segura em até 18 meses.

É uma medida de reflexos religiosos, culturais e sociais de amplo escopo. Mas, um dos defeitos mais preocupantes será sentido nos 29 projetos sociais que se valiam dos recursos financeiros obtidos na quermesse para melhorar o caixa e manter a assistência social que chega a milhares de mogianos.

Muitas dessas entidades assistenciais têm na participação na Festa do Divino mais do que um sopro financeiro. Para muitas, esses recursos financeiros garante a sobrevivência. Aqui se abre um desafio à sociedade mogiana: como se dará o socorro a essas organizações?

Felizmente, ações como o Doa Mogi (www.doamogi.org.br) estão nascendo para cumprir esse papel.

Será essencial o reconhecimento e a ajuda financeira dada a quem faz muito pela redução da desigualdade social – e que está no centro das atenções durante a pandemia porque a maior parte das vítimas da Covid são os mais pobres, vulneráveis e excluídos socialmente. O que está em jogo é saber se a cidade sairá ainda mais pobre e desigual dessa pandemia, ou não.


Deixe seu comentário