ARTIGO

Mais uma …

Laerte Silva
Desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro algumas falas e posições suas repercutem negativamente no ambiente político. Muita postagem na internet, mas um governo devagar no empenho para buscar soluções importantes, e aqui para exemplo clássico, a falta de articulação forte para aprovação da reforma da Previdência. O presidente vive alfinetando e também tomando bordoadas do presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo Maia.

O governo já sofreu baixas em seu primeiro escalão e mesmo que tenhamos que aguardar mostrar plenamente a que veio – é cedo para avaliação total – os fatos surpreendem quando as intenções, rumores, viram uma decisão equivocada. É exatamente disto que trata a intenção do presidente em nomear seu filho, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ao cargo de embaixador nos EUA.

O filho, aqui sem considerar suas qualificações, foi eleito e espera-se dele que cumpra o mandato, aliás este um ponto que defendo para todo político que pede votos, isto é, do vereador ao senador, não importa, uma vez eleito deve ir até o fim do mandato, sem oportunismos. Mas o deputado ainda, se indicado for, passará por uma sabatina no Senado e terá que mostrar ser mais do que o filho do presidente, e neste particular, exatamente aí, é que a intenção da indicação desperta incômodo. Ora, mesmo que se leve em conta que seja uma nomeação política e não se trate de nepotismo nos termos da súmula vinculante 13 do STF, a pretensão inegavelmente não é impessoal, pela meritocracia de relevantes serviços públicos ou notória habilidade uma vez que o deputado não é um diplomata de carreira. É favorecimento pela “qualificadora” filho do presidente. É o velho jeito de fazer política arrumando um cabide aos amigos e parentes.

É o tipo de escolha que se amolda muito bem ao sistema que o senso do brasileiro condena, isto é, de que é preciso um basta nas nomeações políticas em qualquer nível, dos municípios ao Governo Federal, acabando com a mania do político em ajeitar a vida da família quando em exercício de mandato. É por esse tipo de conduta que o Brasil não prospera. A iniciativa, embora possa enquadrar-se nos requisitos legais e não escorregar na norma, escorrega na questão moral. Não é o que se espera do elevado cargo. Não fica e nem pega bem. Enfim, essa é mais uma do presidente …

Laerte Silva é advogado