EDITORIAL

Mais verde do que cinza

Mogi das Cruzes teve acesso ao Plano Municipal da Mata Atlântica, documento baseado em estudos desenvolvidos pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), onde professores e estudantes atuam no Laboratório de Mapeamento das Análises da Paisagem, o MapLab.

Nesse laboratório, a comparação de imagens de satélites e mapas de diferentes períodos indica como o adensamento urbano está acontecendo na cidade e na mata, e quais são os impactos dessa ocupação na vida das pessoas e das espécies da fauna e flora das serras do Itapeti e do Mar.

O desmatamento mais intenso dos remanescentes da Mata Atlântica começou a ser contido nos anos 1990 quando, principalmente a Serra do Itapeti, começou a ser muito mais iluminada à noite por causa do crescimento das ligações de energia elétrica feitas por novos moradores.

Primeiramente, a partir do Ministério Público e depois pelo governo municipal, a cidade conseguiu ver um melhor controle no desmembramento de terrenos, antes apenas nas mãos das mais antigas famílias do Itapeti e dos bairros próximos à Serra do Mar, como Taiaçupeba.

Esse processo ainda se mantém com o crescimento do número de sítios e casas, e dos loteamentos clandestinos em estradas vicinais pouco movimentadas. Bairros como Itapeti e da Moralogia e grotões de Taiaçupeba e Quatinga são pontos preocupantes.

Além dessa questão – a perda do território dentro e entre as duas serras – outro desafio do Plano Municipal da Mata Atlântica é tornar a expansão urbana o menos selvagem possível. A pressão imobiliária é fortíssima. Se a cidade não controlar a expansão urbana, não apenas o interior das serras, todos sentirão os efeitos da troca do verde pelo cinza do asfalto e das construções.

Há como conciliar a ocupação com a preservação das duas serras e dos corredores de vegetação (praças, canteiros, várzeas dos rios e córregos Tietê, Jundiaí, Negro, Ipiranga, Lavapés, etc)? Sim, há. Não é o que Mogi tem feito.

Uma panorâmica da cidade mostra pontos verdes em alguns bairros apenas. Um passeio por regiões densamente ocupadas na periferia de Braz Cubas e de Jundiapeba mostram os bolsões marcados pela falta de árvores.

No papel, o Plano Municipal da Mata Atlântica especifica metas, como o plantio de 50 mil árvores a mais, que levarão pelo menos 10 anos para mudar a paisagem urbana. Na prática, o mogiano atento ao que está acontecendo com a criação dos novos e a manutenção dos velhos bairros vê que do plano para a realidade há um enorme caminho a ser percorrido.


Deixe seu comentário