EDITORIAL

Mau exemplo

Nao é possível admitir tal falha: a terra jogada dentro de um curso d’água

De quem menos se espera, o mau exemplo. Aliás, nesse mesmo caso, os desdobramentos da investigação iniciada pela Delegacia do Meio Ambiente de Mogi das Cruzes sobre o descarte da movimentação de terra no Córrego de São Bento, às margens da Rodovia Mogi-Dutra, trazem um desconforto que não tira, claro, o ânimo de quem reconhece o empenho do Governo do Estado em terminar uma obra esperada há mais de uma década.

No decorrer dessa semana, investigadores constataram o assoreamento do curso d’água e solicitaram a documentação referente ao licenciamento ambiental da obra de duplicação do trecho da rodovia entre Mogi das Cruzes e Arujá. Os registros não foram apresentados. Na sequência do registro de um termo circunstaciado a respeito das irregularidades encontrados no local, representantes dos Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) trocam responsabilidades entre si.

Eles repetiram o que se viu recentemente na gestão passada do Governo do Estado quando o assunto eram os estudos das condições das encostas da Rodovia Mogi-Bertioga. Naquela oportunidade, quem andou se estranhando foram interlocutores ligados à Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

Rapidamente esse novo desacerto pode ser aparado pelo governo estadual. Do Governo do Estado se espera o bom exemplo no cumprimento da legislação ambiental. Não é possível admitir tal falha na condução de uma obra realizada em uma região formada, felizmente, por áreas verdes e remanscentes da ameaçada floresta da Mata Atlântica.

Da proteção dos recursos naturais da Região Metropolitana de São Paulo depende a qualidade ambiental desta e das futuras gerações.

Não há argumento cabível para a defesa de um ato como esse: jogar terra dentro de um manancial. Além disso, fere a imagem do poder público a demora em rapidamente responder pelo que parece ser um mal feito, apurar as responsabilidades, eliminar o foco desse prejuizo ambiental.

A conclusão da duplicação do corredor entre a Rodovia Mogi-Dutra e Arujá é uma grande e necessária obra de mobilidade urbana para a Região de Mogi das Cruzes. Nâo há um pingo de dúvida. Por isso mesmo é de se estranhar o dano tão primário (frente à importância da obra) descoberto pelo delegado Francisco Del Poente.

Ao assumir a continuidade dessa obra, o governador João Doria cumpre mais do que uma promessa pessoal de campanha com o Alto Tietê e, tão importante quanto, sana uma fatura indigesta deixada pelos governadores anteriores.