ARTIGO

Maternidade sadia

João Anatalino

Ótimas notícias. A maternidade da Santa Casa de Mogi das Cruzes vai ser ampliada e o município planeja construir uma maternidade. São medidas que vêm com pelo menos 20 anos de atraso. Teríamos evitado algumas tragédias se isso fosse feito já no século passado. Mas nunca é tarde demais.

O Brasil está no 79º lugar entre os países do mundo no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), índice usado pela ONU para medir o nível de qualidade de vida em todas as nações do planeta. É uma situação constrangedora, que deixa o país envergonhado.

Um dos itens que nos mantém nesse desconfortante lugar na tabela do IDH é o número de meninas que engravidam precocemente. Cerca de 20% dos partos feitos pela Santa Casa de Mogi das Cruzes são realizados em adolescentes. A maioria com menos de 18 anos. Algumas nem chegaram aos quinze. Esse é um grande problema, não só para o sistema de saúde pública, mas para a sociedade como um todo. Essas meninas, além não ter um organismo suficientemente maduro para uma maternidade sadia, seus bebês, não raro, nascem com alguma insuficiência que os leva a ficar muito tempo nas UTIs neonatais. Isso representa grande custo para os cofres públicos e significativo aumento nas taxas de mortalidade. Além disso, há o custo social dessa inadequação, que reflete na criação das crianças. A taxa de abandono é grande e a marginalidade alcança essas crianças com muita facilidade. Acabam sendo presas fáceis do crime organizado. Sem amparo, educação, proteção do Estado, ou qualquer perspectiva de uma vida decente, são essas crianças que geralmente encontramos nos semáforos, fazendo de tudo para sobreviver.

Quando presidíamos a Amoa (Associação Mogiana Oficina de Aprendizes), um dos pontos básicos do nosso programa de educação para o trabalho era a prevenção da gravidez precoce.

A sociedade moderna costuma emancipar tudo. O sexo é uma das atividades que tiveram uma abertura ampla e irrestrita. Os jovens de hoje iniciam suas vidas sexuais cada vez mais cedo. Sem nenhuma responsabilidade com as consequências que isso pode acarretar. Se quisermos melhorar nosso IDH, esse é um dos problemas que precisam ser atacados. Aumentar e melhorar os serviços prestados pelas nossas maternidades públicas é importante e salutar. Mas além disso, um programa de educação sexual que dê mais ênfase à maternidade e à paternidade responsável seria muito bem-vindo.

João Anatalino é escritor e advogado