Mato alto e a dengue

Terrenos sujos e com mato são criadouros do mosquito que provoca grave epidemia

O mato alto encontrado em terrenos baldios particulares e públicos foi controlado durante boa parte do ano pelas condições climáticas. A seca prolongada diminuiu esse tipo de vegetação que, agora, com a normalização do regime de chuvas, ganha vida e volta a crescer assustadoramente nos milhares de espaços desocupados e abandonados por seus proprietários ou pelo governo municipal. O pedido de providências feito por moradores de três bairros visitados pela reportagem de O Diário, Vila da Prata, Jardim Universo e o Conjunto Thaísa, vale para muitos outros pontos do Município.

Essas reclamações ocorrem em um momento singular, quando toda a população começa a tomar conhecimento da gravidade das doenças provocadas pelo mosquito Aedes aegypti, um pernilongo que infestou todos os bairros de Mogi das Cruzes e cresce em locais onde encontra água limpa. Esses terrenos abandonados são potenciais criadouros do inseto que está provocando o mais grave problema de saúde pública das últimas décadas e com consequências até agora inestimáveis – ainda não se sabe a extensão dos danos que serão provocados pelo mosquito. Não há como conter a proliferação do mosquito sem mudanças drásticas nas frentes de combate ao Aedes aegypti, com o aparelhamento dos setores de fiscalização, as campanhas educativas, e etc.

As reclamações dos vizinhos desses terrenos ganham importância porque demonstram a conscientização e o poder de articulação de uma parcela da população. Também alertam para a necessidade de mudanças – tanto das autoridades, que começam a agir mais energicamente contra um problema que chegou a esse ponto por erros e negligências do poder público, quando da sociedade como um todo. Não há política de saúde pública eficaz sem a participação popular.
Nesses terrenos crescem outros insetos e animais, portadores de doenças igualmente letais, como a leptospirose, transmitida pela urina do rato. Eles também contribuem para agravar a sensação de insegurança porque servem de esconderijo para marginais.

Não há uma saída milagrosa para mudar o atual quadro. Tomara que, pelo menos, minimamente, as epidemias provocadas pelo mosquito da dengue ajudem a impulsionar medidas que vão melhorar a limpeza dos terrenos vazios. Denunciar os pontos mais sujos é um primeiro passo. Muitos dos terrenos que vivem com mato pertencem aos mesmos proprietários, multados e advertidos inúmeras vezes – não é hora de acirrar as penalidades e cobranças previstas na legislação? Por outro lado, o poder municipal precisa dar o exemplo com a manutenção e capinação dos logradouros e áreas públicas.


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