PREVENÇÃO

Médica alerta para transmissão da doença e a importância de seguir a quarentena

QUARENTENA Apesar das recomendações de especialistas, ainda há pessoas nas ruas de Mogi das Cruzes. (Foto: Elton Ishikawa)

Quando sair da quarentena? O que fazer com as pessoas que continuam saindo às ruas, promovendo a circulação de um vírus que tem um poder de letalidade relativamente menor, se comparado com outras doenças, mas avassalador para idosos e pacientes com doenças como diabetes, câncer e ouras?

Essas são algumas das perguntas mais recebidas pelas equipes médicas que estão respondendo as dúvidas em serviços como o Disque Corona (telefone 4798-5160).

Para quem tem os sintomas da Covid-19 (febre alta, tosse e dificuldade para respirar) e ou gripes e resfriados, a determinação é de se manter a quarentena durante 14 dias. Tanto o paciente com esses sintomas, quanto os seus familiares. Terminado esse prazo, embora os estudos digam que a partir do 14º dia a pessoa não transmite mais o vírus, os cuidados precisam ser mantidos, segundo observa a secretária-adjunta de Saúde de Mogi das Cruzes, a médica Rosângela Cunha.

“A pessoa, a partir do 14º não transmite o vírus, mas ela pode ir a uma padaria, por exemplo, pegar no dinheiro ou no cartão de crédito, onde o vírus foi depositado por outra pessoa, voltar para a casa, e transmitir esse vírus para um idoso, ou um doente. Perceba que a característica do coronavírus é a grande capacidade de se replicar no meio ambiente e, inclusive, de ficar vivo em determinados objetos (plástico, metal), e continuar contaminando outros indivíduos”, afirma, defendendo o isolamento social até que o pico de contaminação seja freado.

Outra informação importante meta Melhorar os índices de testagem pode ajudar na definição de novas normas de combate à doença diz respeito à descentralização da transmissão que, anteriormente, estava restrita a uma parcela da população brasileira, em geral, de classe média e alta. Até duas semanas atrás, quando os casos começaram a ser identificados, o coronavírus estava entre determinados núcleos sociais. A partir da transmissão vertical, ele começará a chegar, somente nos próximos dias, a comunidades mais pobres – onde a propagação poderá ser facilitada por condições como a moradia de um grande número de pessoas em uma mesma casa.

Nas ruas

Rosângela nota, com preocupação, uma mudança no comportamento das pessoas entre o primeiro final de semana das medidas de isolamento social, e o domingo passado. Ela reside no Nova Mogilar. No último dia 22, quando mais pessoas permaneceram dentro de casa, ficou famoso o caso de um jovem que continuava caminhando na praça, enquanto os moradores, dos apartamentos, pediam para ele voltar para a casa. “No último domingo, no entanto, mais pessoas, com crianças e animais, permaneceram na praça. Ou seja, há uma quebra nesse comportamento, aos poucos, o que é muito preocupante”, argumentou ela.

Defesa

O isolamento social é uma recomendação, não porque todas as pessoas infectadas precisarão de um leito hospitalar. Para 80% dos contaminados, a Covid-19 pode nem ser percebida. O problema é que 20% desse contingente poderão ter sintomas graves, e 5%, sintomas gravíssimos, que exigirão internação e respiradores por cerca de até duas semanas. “As medidas de prevenção visam garantir as condições de os hospitais atenderem bem quem vai precisar”, encerrou a secretária- -adjunta.


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