PREVENÇÃO

Médico Luiz Henrique Frizzera defende isolamento contra Covid-19

EXPERIÊNCIA Luiz Henrique Frizzera Borges orienta as pessoas a ficarem em casa para evitar o contágio. (Foto: arquivo)
EXPERIÊNCIA Luiz Henrique Frizzera Borges orienta as pessoas a ficarem em casa para evitar o contágio. (Foto: arquivo)

O mundo se uniu em um esforço conjunto, de forma nunca vista na história moderna, para combater um inimigo comum. O Sars-CoV-2, ou o novo coronavírus, causador da doença Covid-19, já infectou mais de 600 mil pessoas no planeta – considerando apenas os casos diagnosticados -, matou aproximadamente 30 mil e segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresenta uma ameaça sem precedentes.

Com mais de 50 anos de formação, o médico Luiz Henrique Frizzera Borges, que atua em Mogi das Cruzes, relata nunca ter vivido uma situação “tão crítica quanto essa pandemia”. Longe de ser só uma “gripezinha”, o profissional de Saúde, que é especialista em pneumologia, alerta, em entrevista a O Diário, que o novo vírus está em constante mutação, pode ser letal ao ser humano e deve ser contido em um esforço coletivo. Segundo ele, ainda não é momento de pânico, porém a situação pode ser agravar de forma “inimaginável caso medidas de prevenção, como a quarentena” estipulada no Estado, não sejam mantidas.

“As pessoas não têm que querer ou não uma quarentena. Elas devem seguir o que os especialistas estão afirmando e acabou”, pontua o médico. Ele lembra que a medida é fundamental para conter a proliferação do vírus, por isso é adotada pela maioria dos países.

“Estudos apontam que caso o Brasil não siga o isolamento, serão mais de 500 mil mortos pelo novo coronavírus”, destaca Borges, que defende o isolamento horizontal, diferente do modelo vertical proposto pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ou seja, para o médico, é fundamental que toda a população permaneça em casa, não apenas os mais velhos.

O especialista prevê que o pico do coronavírus no Brasil aconteça entre maio e junho, sendo uma situação que, por enquanto, veio para ficar. “Ainda vai aumentar muito o número de casos da doença no Brasil; estamos só no começo”, alerta, ao completar que “vamos passar por semanas drásticas”. Por isso, na opinião dele, “as pessoas devem fazer sua parte desde já”.

Questionado sobre o que pensava dos movimentos contrários à quarentena, que são vistos no Estado, inclusive em Mogi das Cruzes – com novas manifestações agendadas para este domingo e segunda-feira – Borges pede para que as pessoas entendam uma situação: “Muitas pessoas vão ficar desempregadas sim; mas a economia será muito mais afetada no futuro, caso o isolamento não seja adotado logo no início”. De forma rigorosa e certeira, o especialista pontua: “Gente morta não gera renda”.

De acordo com o médico, “vivemos um momento em que a saúde precisa estar em primeiro plano; a economia conseguimos recuperar depois, vidas não”.

Apesar de o cenário desolador, Borges acredita que o Brasil está um pouco mais preparado que países da Europa, por exemplo. “A situação está brava no mundo, e o País tem uma chance de aprender com os erros de nações como a Itália”.

O médico elogia a postura adotada pela Secretaria de Saúde de Mogi que, segundo ele, está “corretíssima”. O prefeito Marcus Melo (PSDB) e o titular da Saúde, Henrique Naufel, já se pronunciaram contrários à linha de pensamento do presidente Bolsonaro. Ambos defendem veementemente o isolamento social no momento.

Luiz Borges lembra que todos, principalmente os idosos, devem tomar a vacina contra a gripe, que já é oferecida em Mogi das Cruzes, “pois ela facilita o diagnóstico para a Covid-19, além de que uma pessoa infectada pelo coronavírus e pelo H1N1 tem muito menos chances de recuperação”.

De acordo com a programação mogiana, entre segunda-feira (30) e o próximo dia 15 de abril serão imunizadas pessoas de 60 a 74 anos. A partir de 16 de abril, o município deverá seguir a programação do calendário nacional, que prevê o atendimento a professores, profissionais das forças de segurança, pacientes com doenças crônicas, crianças de 6 meses a 6 anos incompletos, gestantes, puérperas e indígenas. O cumprimento do cronograma depende da reposição das doses.

Mais informações pelo SIS 160.


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