EDITORIAL

Memória e projeção

Exposição e um novo documentário preservam tradições mogianas

Duas notícias, em nossa edição de domingo, dão conta de iniciativas potentes para a preservação e a difusão de antigas manifestações populares e religiosas de Mogi das Cruzes. Fica em exposição até o final deste mês a mostra Deus Vos Salve Esse Devoto, com peças, acessórios como as capas usadas nas corações do rei e da rainha do congado, fotografias, instrumentos musicais, um altar e o canto dos grupos de marujada e moçambique mogianos.

A iniciativa valoriza essa tradição mais conhecida durante a Festa do Divino Espírito Santo, mas mantida durante todo o ano em bairros da cidade.

A congada mogiana nasceu em meados do século passado com a chegada de mestres mineiros e cariocas de congada em bairros como César de Souza e Jardim Santa Teresa. Dançantes em suas terras natais, ao se mudarem para Mogi, em busca de oportunidades de trabalho, eles começaram a repetir os mesmos rituais em torno de santos como São Gonçalo, Nossa Senhora Aparecida, São Benedito e Nossa Senhora do Rosário nas comunidades onde passaram a viver, criando os grupos de moçambique e marujada que projetam Mogi das Cruzes em pesquisas como a que pretende transformar a congada em um patrimônio nacional (nascida, aliás, na cidade, na Casa do Congado)

A exposição e outros acontecimentos como a abertura do portal Memória Digital da Congada de São Paulo, que reúne documentários, livros, revistas, pesquisas e o acervo musical, dão visibilidade aos grupos que começam a ser renovados pelos filhos e aprendizes dos antigos mestres mogianos.

A outra noticia é sobre mais um documentário produzido sobre a Festa do Divino de Mogi das Cruzes. Desta vez, o evento foi escolhido entre outros 12 que acontecem no Brasil para integrar um seriado que retrata a maneira como a devoção e o louvor ao Divino Espírito Santo acontece em outros países como Portugal, Estados Unidos, Canadá e Itália.

Os registros são um meio de divulgar o que Mogi das Cruzes preserva, atrair as novas gerações e valorizar quem, como o ditado popular diz, carrega de fato o piano, e costuma ficar alheio aos holofotes mais disputados, durante a realização do evento, ou seja, o dançante das congadas, a rezadeira responsável por levar a bandeira às casas dos mogianos, o voluntário das quermesses e alvorada.