EDITORIAL

Memória

Aberta em meio a uma grave crise de mobilidade após alguns caminhões descerem sem freio pela Rodovia Mogi-Dutra provocando mortes, prejuízos, indignação e o protesto de moradores da Ponte Grande, a Estrada do Pavan recebe trânsito pesado apenas no sentido via perimetral. Os caminhões são obrigados a desviar por ali por segurança. As tragédias na rua Cabo Diogo Oliver foram dolorosas.

O acesso existe como medida paliativa. Foi construído em resposta ao clamor popular contra os acidentes fatais na entrada principal da cidade, a partir da Mogi-Dutra.

A memória é um bem incômodo, certas vezes. Por isso, de propósito, muitas pessoas tentam apagá-la. Desmerecê-la.

A Estrada do Pavan surtiu efeito positivo na preservação da vida com a obrigatoriedade do tráfego pesado (menos o destinada a uma empresa de transportes, localizada naquela ponto).

A importância do acesso foi rapidamente absorvida nos discursos de prefeitos, vereadores e governadores. Tanto que mais de uma vez a duplicação da estrada sem acostamento e de asfalto sempre judiado foi incluída em projetos do DER (Departamento de Estradas de Rodagem). Mais para incluir do que para realizar.

O Diário coleciona essas notícias. A Estrada do Pavan figurou num projeto de melhorias da SP-66 e, posteriormente, na duplicação da Mogi-Dutra. Tudo para inglês ver. Melhorar a via responde uma necessidade do estado porque a via poderia receber mais veículos na passagem entre Mogi e Bertioga.

O mais novo plano do Governo do Estado inclui a duplicação no projeto de pavimentação da Volta Fria, obra também esperada há décadas.

O que temos a dizer é: tomara que o plano atual não seja só mais uma promessa.

Na rotina dos usuários, trabalhadores e dos moradores do entorno, a insegurança é moldada pela falta de acostamento, buracos e depressões. O tráfego de caminhões cresceu exponencialmente. A Prefeitura gasta dinheiro público com o tapa-buraco que não resolve o problema em dfinitivo. A estrada precisa ser alargada, ganhar drenagem adequada, ter todo o piso substituído.

A memória é usada por governos e dos políticos quando lhes convêm. Para este jornal, ela tem função vital na defesa dos interesses de nossa comunidade. Ela inibe a ilusão, mas também nos faz lembrar como o mogiano sabe agir quando preciso. Foi graças à pressão popular exercida pela Ponte Grande que a Estrada do Pavan foi construída.


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