MASSACRE EM SUZANO

Menor é mentor dos assassinatos, diz delegado

Promotor Rafael Ribeiro e o delegado Alexandre Dias coordenam as investigações (Foto: divulgação)
Promotor Rafael Ribeiro e o delegado Alexandre Dias coordenam as investigações (Foto: divulgação)

Em coletiva à imprensa, ontem, o delegado Alexandre Henrique Dias e o promotor Rafael Ribeiro apontaram como mentor do massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, o adolescente de 17 anos, que já se encontra apreendido. Ele é acusado de ter participado do planejamento do crime ao lado de Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e de Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, que invadiram o tradicional estabelecimento de ensino, espalhando terror. Em menos de 15 minutos, deixaram rastro de sangue.

O ataque resultou em 10 mortos, contabilizando o suicídio dos assassinos, e 11 feridos. O caso teve repercussão internacional pela barbaridade.

Por ordem da Justiça, o adolescente ficará internado 45 dias em uma das unidades da Fundação Casa. Somente depois do encerramento das investigações e do perfil psicológico apurado é que ele poderá ser sentenciado a uma medida sócio-educativa ou ao cumprimento de pena que pode chegar a três anos.

O promotor Rafael Ribeiro frisou que “não podemos dar detalhes materiais das buscas e das provas. O inquérito tramita em segredo de Justiça”. O delegado Alexandre Dias destacou que “a Polícia Civil e o Ministério Público caminham juntos no esclarecimento do massacre, estamos atrás do traficante que vendeu a arma para o Guilherme e de outros supostos envolvidos no atentado”.

Para o promotor Rafael, “houve engano, semana passada, da imprensa ao divulgar que o Ministério Público rejeitou a representação da Polícia para apreender o adolescente. Isso não aconteceu, mas sim havia a necessidade de conseguirmos mais indícios sobre o envolvimento nos homicídios. Hoje, (ontem) já obtivemos essas informações e a apreensão dele foi decretada pela Justiça”.

Uma das equipes da Polícia Civil deteve o adolescente de 17 anos, na tarde de quarta-feira, após o atentado na escola. A caminho da delegacia, onde foi ouvido pela primeira vez, o infrator explicou a um policial que tinha um sonho de se alistar no Exército, mas no da Rússia “por ter mais poder de bala”.

Ele garantiu que chamava Guilherme de ‘irmão’ e ajudou a planejar o massacre, sendo que “fomos juntos comprar algumas armas medievais como facas e a machadinha, além da bandana de caveira que cobriu o rosto dele”. A Polícia Civil e o Ministério Público ainda apuram porque o menor não participou do ataque.

Detalhes

O delegado Alexandre Dias destacou que com a conclusão do laudo da necrópsia pelo Instituto Médico Legal (IML) ficou claro o que a Polícia Civil já acreditava no primeiro dia das investigações, após levantamento realizado na escola junto aos corpos. “O Guilherme Taucci Monteiro (que portava um revólver 38) atirou em Luiz Henrique de Castro e depois se matou com tiro também na cabeça”. Segundo ele, “faltam, agora, sabermos os resultados dos laudos toxicológicos”.