ANÁLISE

Mercado e crise mudam perfil do emprego

BALANÇO Apenas na primeira semana deste ano, 1,5 mil pessoas estiveram nas agências do Emprega Mogi. (Foto: Eisner Soares)

O otimismo do início do ano fez encher o Emprega Mogi, equipamento da administração municipal que oferta as oportunidades do mercado de trabalho na cidade. Durante a primeira semana, cerca de 1,5 mil pessoas procuraram as três unidades do programa em busca de uma recolocação profissional. A diretora do serviço, Glaucia Coutinho, diz que apesar da internet oferecer facilidade para quem está em busca de uma colocação no mercado de trabalho, muita gente ainda peregrina pelas agências. O espaço digital, segundo conta, fomenta isso, porque as vagas do Emprega Mogi são divulgadas no site da prefeitura, e a partir da relação de oportunidades as pessoas vão até as agências.

Só no ano de 2019, as três agências do Emprega Mogi intermediaram a contratação de quatro mil pessoas. A diretora diz que esse público é encontrado de diferentes formas. “Tem as pessoas que naturalmente passam nas nossas unidades, porque ficam nos dois terminais e em Jundiapeba, mas também tem aquelas que veem as vagas na internet e vêm até a gente. Então a internet foi um facilitador, porque quem procura emprego muitas vezes não tem condições de ficar gastando com passagem, então ela vem realmente quando vê uma vaga de interesse”, diz

A diretora percebeu que a crise econômica causou uma mudança no comportamento de quem procura emprego. Ela conta que antes os candidatos escolhiam apenas os cargos que já tinham experiência ou instrução. Hoje, eles estão abertos às mais diversas oportunidades, e também aproveitando os cursos oferecidos por meio do Crescer ou outros serviços na cidade.

“Elas estão dispostas a tentar novas oportunidades, tendo em vista que não tem oportunidade para muitas vagas. Eu acompanho aqui que tem pessoas que trabalhavam no administrativo e foram para a área de cozinha, portaria, outras foram se qualificar para abrir o leque. É um conselho que a gente sempre dá para o cidadão, que se ele não está trabalhando, aproveitar o tempo para se qualificar, porque a cidade oferece várias oportunidades. Essa é uma coisa que eu friso muito para quem chega”, diz.

MUDANÇA Glaucia Coutinho fala sobre a procura por emprego. (Foto: Eisner Soares)

Apesar de o perfil dos candidatos ser diversificado, desde jovens de 16 anos até pessoas na terceira idade, com o nível de instrução também diverso, a Glaucia diz que ainda há algumas vagas que demoram a ser preenchidas por falta de qualificação dos candidatos. “Isso acontece nos casos em que o cargo é muito específico. Eu tive um caso em que a procura era por um professor de matemática que fosse bilíngue. Era uma demanda de uma escola da cidade que é bilíngue, então são as novas demandas que vão surgindo”, pontuou.

As vagas do empresa Mogi ficam disponíveis no site www.pmmc.com.br

Janeiro deixa de ser o mais concorrido

Há 10 anos, a agência de empregos de Mogi das Cruzes Nova disponibiliza a possibilidade do candidato fazer seu cadastro sem precisar ir até a sede, acessando por meio do site. O serviço começou apenas para envio de currículos, e hoje oferece a opção de verificar as vagas disponíveis e se candidatar à entrevista com o recrutador responsável pela oportunidade.

Para Gilberto Ortiz, sócio-diretor da agência, a internet revolucionou o setor de empregos, tornando ágil, prática e segura as relações entre consultorias, empresas e candidatos.

“Por meio de ferramentas de racionalização de tempo, e com custos otimizados. A consultoria de empregos consegue um cadastro amplo para todas as vagas inerentes a região, a empresa diminui os custos de manter um setor exclusivo para recrutamento e seleção, com mais assertividade, eliminando retrabalho. E para o candidato ficou muito mais fácil e barato disponibilizar seu currículo para o mercado de trabalho”, avalia.

Ortiz observou ainda uma mudança no comportamento do público neste fim de ano. Antigamente, conta, as pessoas deixavam para procurar emprego no início de janeiro. Mas ocorreu de em dezembro último aumentar em 50% o cadastro de currículos no site da agência.
Em relação a mudar de área, o diretor acredita não ser uma boa ideia, pois o candidato vai sempre ter mais chances de conseguir um emprego na área onde tem experiência. “Se ele quer mudar de área tem primeiro que conseguir emprego na sua função, e posteriormente se especializar em outra área, se candidatando assim a esta nova função na empresa em que está trabalhando, ou empregado sair já com outra oportunidade assegurada”, explica.

Em 2018, a agência contratou quase quatro mil pessoas, já em 2019 houve um acréscimo aproximado de mais de 15%, chegando a mais de quatro mil e quinhentos contratos.

Demissões ainda superam as contratações

Até o final do mês, o Ministério da Economia deve divulgar os dados de dezembro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), e Mogi das Cruzes caminha para ter um balanço negativo no ano. Isso porque o acumulado de janeiro a novembro deste ano está negativo em 625 postos de trabalho, que foram fechados no período, como resultado de 35.199 admissões e 35.824 demissões nos 11 primeiros meses do ano.

A cidade dependeria de números muito bons em dezembro, mas se o próprio setor de comércio, que é disparado o que mais contrata nessa época do ano, abriu 261 postos de trabalho em novembro – valor inferior ao deficit atual, torna-se praticamente confirmado 2019 como um ano em que Mogi das Cruzes não retomou as vagas de emprego fechadas durante a crise econômica. Nos onze meses de 2018 a cidade ostentou um saldo de 2.807 empregos com carteira assinada criados. Alguns analistas, no entanto, apontam para uma tendência de melhora no mercado de trabalho a partir dos próximos meses.

Dos principais setores que integram o levantamento do Caged, 2019 ficou positivo apenas para a construção civil, que até novembro criou 344 postos de trabalho, enquanto o indústria extinguiu 307, o comércio 30 e o de serviços 538.


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