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Mercedes Classe C estreia nova motorização 1.5 biturbo de 183 cv

O “face-lift” promovido pela Mercedes no Classe C foi bem discreto. Destaque para os faróis Full LED (Foto: Eduardo Rocha/AutoPress)

O Classe C vem ganhando importância para a Mercedes-Benz ao longo de seus 25 anos de existência. Quando surgiu, em 1993, foi uma tentativa de rejuvenescer a marca e passar a atingir novos públicos. E deu certo. Hoje o Classe C é o modelo mais vendido pela marca no Brasil e o segundo no mundo; fica atrás do Classe E na Europa e nos Estados Unidos. Na esteira do “face-lift” de meia-vida do Classe C, a Mercedes resolveu apresentar uma de suas maiores novidades: o motor 1.5, da nova família EQ Boost, que utiliza um sistema considerado Mild Hybrid, ou híbrido suave e foi instalado na nova C200.

O C200 traz novo motor 1.5 litro de 183 cv com nova tecnologia que garante desempenho surpreendente (Foto: Eduardo Rocha/AutoPress)

Toda a gama do Classe C foi afetada neste “face-lift”. Além do C200, no Brasil a gama agora será composta por C180 Avantgarde, C180 Exclusive e C300. Os dois C180 mantêm o mesmo motor 1.6 turbo de 156 cv que já dispunham, enquanto o C300, que usa um 2.0 turbo, teve sua potência aumentada de 245 cv para 258 cv. Nesta nova gama, o C250 deixa de ser comercializado. Já o novo C200, que também usava um 1.6 turbo com 184 cv, passa a contar agora com o EQ Boost 1.5 biturbo, que tem uma potência nominal de 183 cv, adicionado de 14 cv oriundos do motor elétrico.
Mais importante que a potência, é no torque que o novo propulsor faz diferença. O anterior tinha 32,7 kgfm enquanto o atual tem 28,6 kgfm do motor a combustão somados a 16,4 kgfm do propulsor elétrico, que resulta em um máximo de 45 kgfm. O resultado disso se mede no zero a 100 km/h. O antigo C200 acelerava de zero a 100 km/h em 10,2 segundos enquanto o atual faz em 7,7 segundos.

Versão C200 custa “salgados” R$ 229 mil, valor que, no entanto, está no nível dos rivais BMW Série 3 e Audi A4 (Foto: Eduardo Rocha/AutoPress)

Outro recurso interessante é o chamado “sailing”, em que o motor pode ser desligado quando está em situações que não exige potência, como uma descida de serra, por exemplo. Nesse caso, mesmo com o motor desligado, todos os sistemas elétricos, como ar-condicionado, continuam funcionando normalmente. Como o motor é novo – na verdade, a marca está testando o motor no marcado com o C200 – a Mercedes ainda não desenvolveu para ele um sistema flex. Se tudo der certo, a tendência é que esta família de propulsor Mild Hybrid se espalhe pelos modelos da fabricante.
Nesse “face-lift”, outras mudanças atingiram todas as versões. Caso da renovação do desenho do para-choque, mais suave na Exclusive e mais agressivo nas demais versões. Mudaram também os conjuntos óticos dianteiros e traseiros. Na frente, todo Classe C passa a vir com faróis Full LED, – composto por oito parábolas,quatro delas para o farol alto -, que afetou bastante o visual do modelo. Na traseira, a mudança foi mais sutil: apenas as seções internas na lanterna foram redesenhadas, com as luzes de posição em um formato de “C” estilizado.

Interior do Mercedes C200 traz painel totalmente digital e configurável e botão de partida (Foto: Eduardo Rocha/AutoPress)

No interior, a mudança foi mais intensa. Todos os modelos agora têm chave presencial e botão de partida. Nas versões C200 e C300, o painel é totalmente digital e configurável, com três estilos diferentes para os instrumentos, e também o display flutuante na parte central do painel passa a ter 10,25 polegadas. Mas não foi desta vez que a Mercedes adotou uma tela sensível ao toque no modelo. O sistema multimídia também ganha a funcionalidade de espelhar Google Maps e Waze através de Apple Carplay e de Android Auto.
As quatro versões do Classe C também tiveram uma renovação na tabela de preço, refletindo a alta do dólar. O C180 Avantgarde sai a R$ 187.900 enquanto o C180 Exclusive fica em R$ 188.900. O C200 EQ Boost, nova estrela da companhia, fica em R$ 228.900 e o poderoso C300 Sport sai a R$ 259.900. (Eduardo Rocha/AutoPress)

Ponto a ponto – Mercedes-Benz Classe C200

Desempenho – O novo propulsor do C200 é, de certa forma, uma unidade de potência. O motor 1.5 biturbo de 183 cv de potência e 28,6 kgfm de torque recebe um bom reforço do motor elétrico, unificado ao motor de arranque e ao alternador. Como ele age diretamente no virabrequim, a força adicional aparece mais como torque do que como potência. Ele dá um impulso de 16,4 kgfm e 14 cv. E é esse torque instantâneo que torna o C200 tão ágil e responsivo. Ele acelera de forma poderosa e progressiva. E o zero a 100 km/h é feito em apenas 7,7 segundos. Já as retomadas são até fortes, mas poderiam ser melhores se o câmbio de nove velocidades selecionasse a marcha certa com mais rapidez. O conjunto de propulsores ainda permite mais um truque, chamado de sailing. Nele, o motor é desligado mesmo com o carro em movimento, quando não há qualquer exigência de potência. Nota 9
Estabilidade – O ajuste de suspensão responde bem tanto ao conforto quanto à estabilidade. Como a distância livre para o solo é pequena, exige um certo cuidado para enfrentar lombadas, por exemplo. Ajudam na dirigibilidade a tração traseira, os pneus 225/50 R17, a grande rigidez torcional da plataforma e a direção comunicativa e precisa. Nota 10
Interatividade – O painel digital e a tela central se completam e são configuráveis de diversas maneiras. Mas a Mercedes insiste é não utilizar telas sensíveis ao toque no modelo. No mais, os instrumentos têm desenho configurável e são fáceis de ler, o display central cresceu para 10,25 polegadas e tem ótima resolução. Incomoda um pouco a posição da haste do câmbio, atrás do volante, mas a saída da alavanca do console central melhora o aproveitamento de espaço para a instalação de porta-objetos. Nota 8
Consumo – O Classe C200 ainda não foi submetido aos testes do InMetro, mas os números que a Mercedes apresenta dão conta que ele tem um consumo energético 1,5% menor que o atual C180. Se essa diferença for aplicada diretamente, o consumo ficaria em 10,4 km/l na cidade e 13,5 na estranha, o que renderia nota A na categoria e B no geral. Nota 8
Conforto – O C200 tem um rodar leve e o interior é bastante silencioso. Esta versão traz bancos elétricos para o motorista, com diversas regulagens, e o ajuste do volante também é elétrico. Os bancos têm uma espessa camada de espuma, que sustenta bem o corpo e oferece muito conforto. Quatro pessoas viajam com bom espaço. Nota 9
Tecnologia – Esta quarta geração do Classe C é de 2014 e passou por uma leve reestilização em 2018. Nesta segunda fase, mudou grade, para-choques e as seções internas dos faróis e das lanternas, que agora são Full LED. A maior novidade é mesmo o motor EQ Boost, que estreia no C200 e tem boa possibilidade de se espalhar por boa parte da gama. No mais, o modelo traz diversos itens de segurança e tecnologia, com sete airbags, sistema start/stop aprimorado pelo uso do novo motor/alternador e sistema de alerta de colisão com frenagem automática. Nota 9
Habitabilidade – Há diversos nichos para objetos de uso frequente no interior, bolsas nas costas do banco dianteiro e um bom porta-objeto no apoio entre os bancos. O habitáculo oferece bom espaço aos ocupantes e o porta-malas carrega razoáveis 455 litros. Nota 8
Acabamento – Há alguns plásticos rígidos, como no painel das portas e nas laterais do console central, mas o revestimento em couro e o novo volante, inspirado no do Classe S, dão um toque de luxo ao modelo. Dependendo da versão, os apliques decorativos podem ser em plástico, alumínio ou madeira. No C200, é em plástico com acabamento “black piano”, que dá um ar sofisticado e moderno. Nota 9
Design – A evolução desse para o modelo lançado há quatro anos é sutil. Apenas as partes mais fáceis de moldar sofreram alterações, como para-choques e seções internas de faróis e lanternas. De qualquer maneira, o desenho do Classe C não está cansado. Os vincos frontais e laterais dão um estilo robusto ao sedã. Mas parte desta força se perde na traseira, que tem um visual acanhado, talvez por ter tantas linhas curvas. No geral, o modelo tem uma imagem clássica e sem ousadias. Nota 8
Custo/benefício – Não há como resistir às variações do dólar. Toda a linha Classe C sofreu um aumento próximo a 10%. O C200 chega com preço de R$ 228.900 e está bem nivelado com os rivais diretos, Série 3 da BMW e A4 da Audi, mas tem a vantagem de trazer a nova motorização EQ Boost. São modelos equivalentes com preços semelhantes, mas o peso da marca Mercedes-Benz ainda é maior. Nota 7
Total – O Mercedes-Benz Classe C200 obteve 85 pontos dos 100 possíveis.

Ficha Técnica
Mercedes-Benz C200

(Foto: Eduardo Rocha/AutoPress)

Motor: A gasolina, longitudinal, 1.497 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, turbo com hélices dupla, comando duplo no cabeçote e duplo comando variável de válvulas. Acelerador eletrônico e injeção direta. Auxiliado por um motor elétrico/alternador, que atua sobre o virabrequim através de correia.
Transmissão: Automática com nove marchas à frente e uma a ré. Tração traseira. Oferece controle de tração.
Potência: 183 cv entre 5.800 e 6.100 rpm com 14 cv adicionais fornecidos pelo motor elétrico.
Torque: 28,6 kgfm entre 3 mil e 4 mil rpm com 16,4 kgfm adicionados pelo motor elétrico em qualquer rotação.
Aceleração de zero a 100 km/h: 7,7 segundos.
Velocidade máxima: 239 km/h.
Suspensão: Independente multibraços na dianteira e multilink na traseira. Controle eletrônico de estabilidade.
Peso: 1.505 kg.
Pneus: 225/50 R17.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. ABS de série. Sistema de frenagem automática abaixo de 60 km/h.
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,69 metros de comprimento, 1,81 m de largura, 1,44 m de altura e 2,84 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais, de cortina e de joelhos para o motorista de série.
Capacidade do porta-malas: 455 litros.
Tanque de combustível: 66 litros.
Produção: Iracemápolis, São Paulo.
Preço: R$ 228.900