EDITORIAL

Mérito mogiano

“Não sabendo que era impossível. Foi lá e fez”.

Olga Nóbrega é uma das grandes defensoras das artes plásticas. Tem no currículo uma firme atuação na defesa do artista e da criação de espaços, eventos e exposições que valorizaram a arte mogiana. Ao longo da carreira, subscreveu os principais movimentos de proteção à cultura. Um deles foi a fundação e manutenção do Grupo Feminino de Artes Plásticas, ator público responsável pela projeção e valorização de talentos e a formação do público há mais de 30 anos.

Jurandyr Ferraz de Campos pesquisou e inventariou a história e a cultura de Mogi das Cruzes como poucos. Ex-secretário municipal de Cultura, é autor de teses e livros, como O Divino em Mogi das Cruzes, Quatrocentros Anos de Devoção, aspectos históricos e iconográficos, um dos mais recentes a identificar as origens da Festa do Divino Espírito Santo. Historiador e professor, dedicou grande parte da carreira a essa manifestação popular e foi um dos indutores da valorização de um produto cultural mogiano para a academia, a história, e os resultados sociais hoje colhidos por entidades beneficentes. Ele e o irmão, Josemir, estão entre os fundadores da Associação Pró-Festa do Divino. Algo, que não devem ser esquecido.

Milton Feliciano é poeta e diretor de teatro, com currículo de incentivo ao teatro e a poesia. Como ex-aluno da escola Washington Luis, ele atua na preservação desse icone da história da educação pública da cidade. É um dos decanos de patrimônios como o Teatro Experimental Mogiano, o TEM.

Olga, Jurandyr e Milton foram os três primeiros a receberem o prêmio Mérito Cultural Sant’Anna, recém-criado pela Câmara Municipal, a partir de iniciativa do vereador Caio Cunha (PV).

Os primeiros escolhidos se encaixam no propósito da homenagem divulgada como sendo uma honraria destinada a reconhecer pessoas físicas e jurídicas pela produção e criação cultural em áreas como a literatura, cultura, arte e religião. O prêmio reconhece quem promove a educação, o ensino e o civismo na cidade.

Se mantiver esse espírito, o de valorizar quem de fato muda para melhor as pessoas e a cidade, e não servir de capital eleitoral, o Mérito Cultural Sant’Anna terá alcançado um objetivo nobre ao reconhecer o mérito de pessoas e entidades que produzem verdadeiras revoluções na formação humana e social por conta e mérito próprio.

Gente que verdadeiramente se dedica a vencer batalhas, muitas vezes, solitariamente, e segue o conceito definido pelo cineasta francês Jean Cocteau (1889-1963): “Não sabendo que era impossível. Foi lá e fez”.