ARTIGO

Messianismo político

João Anatalino

Votei em Jair Bolsonaro nas últimas eleições porque cansei de ver a quadrilha petista solapando os cofres públicos. Não me arrependi (ainda) da minha opção, mas começo a ficar preocupado com o rumo que as coisas estão tomando. Não bastassem as trapalhadas dos seus filhos, que parecem não ter ainda se conscientizado de seu pai agora é o primeiro mandatário do país e não mais um capitão de exército , há alguns membros da equipe que ele escolheu para ajudá-lo a governar, que sinceramente me preocupam.
Uma delas é Tamires Damares Alves, pastora evangélica ultrareacionária, que o presidente parece ter tirado de um romance da era vitoriana para comandar a pasta dos direitos humanos e assuntos de família. Certo que o presidente Bolsonaro também é evangélico, tem formação militar e o seu modo de pensar agasalha um certo conservadorismo que, às vezes, chega a ser reacionário. Isso não é de todo mau, porquanto, penso eu, nas últimas décadas, o Brasil está vivendo uma crise moral, onde a prática da liberdade está sendo confundida com libertinagem. Assim como na vida constitucional de um país existe o chamado sistema de freios e contra pesos para contrabalançar o equilíbrio entre os poderes, é preciso que na dinâmica social também existam liberais e conservadores

Vai longe o tempo em que o papel da mulher era apenas cuidar da casa e procriar. E que meninos e meninas não podiam escolher a cor das suas roupas. Também já pertence à borra dos séculos o tempo em que as pessoas eram condenadas, penal e socialmente, pela sua opção sexual. A era vitoriana já terminou e talvez a ministra Tamires não tenha se dado conta disso.

O governo Bolsonaro trouxe muitas esperanças a um país atolado no pântano da corrupção e da libertinagem, produzido por governos da chamada ideologia progressista, que descuidou completamente daquilo que deve ser mais caro à identidade e à saúde de uma nação: a moral social e pública. Mas é preciso tomar cuidado para não substituirmos essa conjuntura por outra onde o obscurantismo e o sectarismo religioso se tornem política de Estado e façam o país retroceder no tempo.

A propósito, um dos sobrenomes do presidente é Messias. Que esse nome não contamine sua gestão como presidente, pois uma das pragas que infesta esta nossa pobre América Latina é justamente o messianismo político. Que ele não se perca pelo nome.

João Anatalino é escritor e advogado