SAÚDE

Meta do novo provedor é aumentar a receita da Santa Casa com atendimento a pacientes de planos privados

META Após a reforma do Pronto-Socorro, a construção da maternidade deverá combater os problemas causados pela superlotação. (Foto: arquivo)

O novo provedor José Carlos Petreca, de 71 anos, detalhou na manhã de ontem os planos de gestão do hospital filantrópico. Ele conta que pretende seguir o que vinha sendo executado pelo ex-provedor Austelino Pinheiro de Mattos, falecido no último dia 31. Entre os desafios estão o término da obra do Pronto-Socorro, iniciar a ampliação da Maternidade e da UTI Neonatal para combater a superlotação. e melhorar a arrecadação com o atendimento a pacientes de planos particulares. Ontem, a maternidade tinha 54 pacientes embora tenha capacitadade para receber 38 gestantes. As contas da Santa Casa têm um deficit mensal de R$ 400 mil.

Até o mês passado, Petreca era o vice-provedor da Santa Casa. Nascido em Muzambinho, Minas Gerais, ele chegou a Mogi das Cruzes em 1981, e fez carreira em Furnas, em uma área totalmente diferente da saúde. Mas, paralelo a isso, sempre prestou serviços em instituições de assistência e filantropia, esse paralelo o conduziu até a Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes. Integrante da irmandade há anos, ele conta que só conseguiu participar ativamente da mesa administrativa após a aposentadoria. Em 2017 assumiu o Conselho Fiscal da mesa administrativa, durante a primeira gestão do Mattos. Já no segundo mandato, ele atuou como vice-provedor. Com o afastamento de Mattos, Petreca deverá ser efetivado no cargo até dezembro de 2020.

HISTÓRIA José Petreca atua há anos na gestão do hospital. (Foto: Elton Ishikawa)

Já aposentado de Furnas, ele é casado, tem três filhas e cinco netos e está cursando o último ano da Faculdade de Engenharia de Sofware.

Uma das dificuldades que irá enfrentar é a questão financeira. Atualmente, o custo mensal da unidade é de R$ 5,5 milhões. No entanto, as contas fecham, em média, com R$ 400 mil de deficit, valor que poderia ser superior, se não fosse a ajuda recebida do Hipercap, um título de capitalização conhecido pelo sorteio de diversos prêmios, aos domingos, que hoje representa 8,5% de provento mensal.

“Um hospital desse porte depende muito de dinheiro público. Em torno de 95% dos atendimentos que nós fazemos é pelo SUS, e também somos contratados pela Prefeitura de Mogi para atuar como pronto-socorro. As contas nem sempre fecham, porque saúde é um setor que não rejeita o atendimento, após a chegada do paciente não tem como dizer não”, conta.

A Santa Casa está com 146 anos. Funciona em um prédio antigo não mais compatível com a demanda atual, que registrou aumento flagrante nas últimas décadas. Consequentemente, há uma deficiência nos espaços físicos. Uma das melhorias em andamento no hospital é a reforma do Pronto-Socorro, que terá uma nova data de entrega. As dificuldades em cumprir o prazo está no fato de a unidade não interromper o atendimento.

“Você precisa improvisar um setor para atendimento, aí depois você volta, então não tem como correr. A nova previsão é para o início de 2020. A ideia anterior era de entregar até o mês de outubro que passou”, pontua.

Maternidade

A etapa seguinte será a reforma e ampliação da maternidade e da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. “Mesmo que a área física tenha aumentado exponencialmente nesse setor, há dois anos, o quadro de superlotação se manteve, e nós trabalhamos sempre acima da capacidade. Nós somos referência em alto risco, então tudo o que acontece aqui, na Região do Alto Tietê, acaba vindo para cá. Somos uma instituição chamada de porta aberta, então não podemos negar receber um paciente”, ressalta.

O valor de uma emenda de R$ 3,2 milhões conquistada pelo deputado federal Marco Bertaiolli deverá custear a obra. Até o momento foram recebidos R$ 500 mil, para a fase de projeto. Ontem, a maternidade que tem capacidade para 38 gestantes estava com 54 pacientes. Já na UTI Neonatal, que tem 9 leitos e mais um de isolamento, estava com 12 bebês.

Cobrança

O Governo do Estado cobra R$ 1,5 milhão da Santa Casa, porque a Diretoria Regional de Saúde entende que entre 2014 e 2018, o hospital não poderia contratar médicos que já são contratados pelo estado em outra instituição. Há uma ação que pede a restituição desse pagamento.

“O nosso departamento jurídico nos orientou a revisar esses contratos, porque a cobrança é referente ao setor de UTI Neonatal, que é uma especialidade que não tem uma gama grande de profissionais, e nós contratamos uma empresa terceirizada. O nosso departamento jurídico vai recorrer da decisão, porque a gente entende que está tudo certo. Foi um serviço realizado e pago”, disse.

Fila

Na última segunda-feira, a Santa Casa atendeu 502 pessoas que foram à unidade para agendar sessões de fisioterapia. A grande procura, definiu o provedor José Carlos Petreca, foi uma questão pontural.

“Toda primeira semana do mês a gente faz esse agendamento. Desde a sexta-feira, dia 31 de outubro, o processo já estava disponível, mas todo mundo veio na segunda-feira, e o motivo eu não sei. Mas somando com os atendimentos diários, a recepção ficou lotada. Foram cerca de 900 pessoas. São oferecidas 1,6 mil vagas de fisioterapia por mês. Foi pontual” conta.


Deixe seu comentário