EDITORIAL

Milagre dos peixes

Está prestes a completar 20 anos o projeto de repovoamento de peixes na Barragem de Ponte Nova, em Salesópolis, realizado pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) em parceria com o Laboratório de Genética e Organismos Aquáticos e Aquicultura da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).

Salvaguardar espécies nativas da Bacia Hidrográfica do Rio Tietê foi uma exigência para a construção e operação das barragens construídas nas cidades da Região, a partir da década de 1970, como contrapartida ambiental.

Mesmo com a atuação, espécies nativas desapareceram com o decorrer do tempo. O tietê morre a partir de Mogi das Cruzes.

A preservação da vida aquática atende a uma demanda do presente – os peixes ajudam no processo de filtragem dos poluentes fsd águas reservadas pelo Governo do Estado no Sistema Alto Tietê para o abastecimento paulista – e de um futuro hipotético, se despoluição da principal bacia hidrográfica sair das promessas políticas para a realidade. Os peixes salvos agora poderão repovoar outras cidades amanhã.

Já na divisa entre Biritiba Mirim e Mogi, a apenas 20 quilômetros da nascente do Tietê, os impactos da atividade humana e agricola alteram o ciclo de vida e morte de todos os organismos aquáticos, extremamente ameaçados de extinção nas áreas urbanas. Em especial, porque eles vivem longe do olhar da sociedade. Poucos são seus defensores. Com exceção, dos pescadores.

A diversidade no trecho regional, óbvio, não é mais como no passado, mas ainda hátipos de animais e plantas mais resistentes às altas cargas do esgoto domilicar. A situação piora a partir dos bairros densamente ocupados a partir do Socorro e vai ficando cada mais mais sofrível a caminho de São Paulo, onde os índices de despoluição são lentos.

A Ponte Nova, neste cenário, parece um paraíso. Ontem, cerca de mil exemplares do curimbatá-da-lagoa, que havia sido considereada como extinta no Alto Tietê, voltaram para a água, graças às pesquisas e o comprometimento dos integrantes do Laboratório de Genética e Organismos Aquáticos e Aquicultura da UMC

É um pingo em um oceano digno de ser reconhecido. Uma ação que heroicamente conseguiu atravessar as mudanças de seis governos do Estado (tivemos oito governadores de Mário Covas a João Dória, no período) e exercer um modelo empírico de conhecimento ancorado em três pilares: a pesquisa científica, a educação (estudantes são convidados para acompanhar a soltura dos peixes e potencializar o conceito da preservação do planeta) e a prática da conservação do meio ambiente. Um luxo se olharmos para o cenário atual do ensino superior brasileiro.