CASO

Ministério Público do Trabalho vem a Mogi investigar morte de funcionário do Semae

OBRA Soterramento atingiu trabalhadores do Semae, na última quinta-feira. (Foto: Eisner Soares)
OBRA Soterramento atingiu trabalhadores do Semae, na última quinta-feira. (Foto: arquivo)

Quatro dias após o soterramento que deixou um funcionário do Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) morto e outro ferido na Rua Joaquim Fabiano de Melo, na região central, as obras estavam paradas na manhã de ontem, quando a reportagem de O Diário esteve no local. As intervenções são necessárias para substituição da rede de água e esgoto por novos encanamentos, além da obra de alargamento das calçadas do entorno da Associação de Pais e Amigos dos Expedicionários (Apae) de Mogi.

Apesar disso, a Prefeitura de Mogi informou que a perícia foi realizada sexta-feira no local e os trabalhos seguem normalmente esta semana. A previsão é concluir as obras de melhoria de acessibilidade no final de agosto.

O alargamento da calçada da Apae é uma demanda antiga dos pais que precisam levar os filhos até a unidade. Muitos assistidos pela entidade têm mobilidade reduzida e a calçada estreita e sem rampas dificultava o acesso por lá. Situação que Maria Aparecida Pires, de 69 anos, acompanhava há 20 anos, para levar o filho Rodrigo Pires, 33 anos, à entidade. Segundo ela, a obra era mais do que esperada, mas precisa de celeridade porque parada como estava na manhã de ontem pode causar mais acidentes.

“Quem vem de cadeira de rodas sofre bastante e agora tem barro aqui. Se chover vai ficar muito escorregadio”, conta. Até o momento, apenas o trecho entre as ruas Carmem de Moura Santos e Nilo Peçanha foi alargado e está concretado. A área entre a Nilo e a Rua Ipiranga foi quebrada, mas ali não teve início o assentamento do concreto.

A comerciante Eliete Gutierrez está há um ano com uma loja de costura na Rua Joaquim Fabiano de Melo. Ela conta que o movimento na loja caiu muito nos últimos dias porque em frente ao comércio não passa carro e nem ônibus. No entanto, Eliete não reclama porque além de destacar a importância da obra para os assistidos pela Apae, lembra o acidente ocorrido com o funcionário do Semae.

“É muito triste isso acontecer durante uma obra que era tão esperada. Na sexta-feira, eles ainda trabalharam aqui. Hoje (ontem) de manhã, quando cheguei para trabalhar, ainda tinha alguns homens mexendo, mas agora não há mais ninguém. Na sexta-feira também trabalharam”, conta.

Ainda na manhã de ontem, agentes do Ministério Público e do Ministério Público do Trabalho foram ao local do acidente a pedido do presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública de Mogi (Sintap), Benedito Francisco de Souza Filho, para avaliar as condições de trabalho, além de reunir com os quatro outros funcionários que estavam no local quando aconteceu o acidente.

“No sábado, fui visitar o funcionário que está internado. Ele já acordou do coma, tiraram o tubo de respiração dele. Então, consegue falar, mas ainda pergunta muito do Salvino, porque não sabe que o amigo de trabalho morreu”, explicou o presidente do sindicato.