EDITORIAL

Mogi acolhedora

Criação do Serviço Família Acolhedora é esperada pela rede de atenção à criança

Desde meados do passado, quando foi lançado, o Serviço Família Acolhedora é esperado pela rede de atenção à criança e ao adolescente de Mogi das Cruzes, formada por instituições e representantes do Poder Judiciário responsáveis pelo abrigamento de mogianos menores de 18 anos, afastados temporária ou definitivamente da família biológica.

O programa de acolhimento permitirá que famílias selecionadas possam conviver com os jovens e crianças sem a consumação da guarda definitiva. Essa é uma modalidade de guarda temporária que valoriza o convívio familiar em detrimento do modelo de institucionalização de quem está apartado da família de origem.

As famílias acolhedoras vão receber um recurso financeiro – um salário mínimo ou um salário mínimo e meio, para os casos de crianças ou jovens que necessitem de cuidados especiais – e serão acompanhadas por assistentes sociais durante a validade do serviço.

A alternativa aos abrigos que recebem um número maior de crianças é um modelo adotado em outras cidades brasileiras e países para fornecer ao assistido um ambiente familiar, que tem mais possibilidades de melhor agir na superação de traumas, no acompanhamento do desenvolvimento escolar e social, e até mesmo na preparação da criança ou adolescente para a casa dos pais biológicos.

Nesta semana, a Cãmara aprovou o projeto, e em duas semanas ele deverá ser sancionado pelo prefeito Marcus Melo (PSDB).

Vencida a burocracia, será hora de buscar famílias interessadas nesse ato de fraternidade e humanidade. Será hora de conhecer a Mogi solidária, altruísta, amável.

Em geral, mesmo para a adoção definitiva, há um déficit de casais e pessoas interessados em cuidar de crianças a partir das 4, 5 anos. Por isso, a maioria dos adolescentes que não retornam para a família permanece em lares assistenciais até completarem os 18 anos. Será para essa faixa etária que o Serviço Família Acolhedora poderá dar um salto nos resultados do atendimento à parcela da população que terá a vida pessoal, social e profissional impactada pela distância do pai, da mãe ou de parentes próximos.

A rede de atendimento à criança e ao adolescente tende a aprimorar o que as casas existentes, como a Abrac, Casa da Criança e a Associação São Lourenço, fazem com louvor e o reconhecimento dos atores dos poderes Judiciário, Executivo e Legislativo, responsáveis por atender uma parcela dos mogianos marcada pela violação dos direitos humanos e da criança.