Mogi aponta emprego como prioridade no governo Temer

A economia, a geração de empregos e o controle da inflação são pontos que preocupam moradores de Mogi das Cruzes e que devem ser temas centrais da agenda do presidente interino Michel Temer (PMDB), que assumiu ontem (12) a Presidência do Brasil. Ele substitui Dilma Rousseff (PT), afastada pelo Congresso Nacional por 180 dias como parte do processo de impeachment por causa das “pedaladas fiscais” às custas dos bancos estatais.

Com a escolha do Senado em afastar a petista do cargo para o qual foi eleita, Temer foi alçado à Presidência da República. Há semanas, ele já articulava a sua equipe ministerial, formada apenas por homens, e que sob o mantra de ser uma “ponte para o futuro” tem a missão de tentar retomar o crescimento econômico.

Passada a discussão sobre o processo, é chegada a hora das pessoas dizerem o que esperam. “Não tenho esperança de que haja mudança plena neste processo. O que penso que deve existir é a volta da confiança, o estabelecimento da credibilidade na economia. Trabalho numa empresa com duas lojas de móveis, uma é mais popular e outra elitizada. A popular sempre vendeu mais. De uns tempos para cá isso mudou. Os móveis mais caros estão saindo mais. É o retrato de que as pessoas com mais dinheiro continuam comprando. Há mais precaução do que falta de dinheiro mesmo”, analisou a vendedora Márcia Cristina da Silva, de 48 anos.

O taxista Ivaldo Flor, 46, está otimista com o ingresso do advogado ao cargo de presidente interino. “É uma esperança para que este cenário tenha alguma mudança. A forma como estava era insustentável. A corrupção havia tomado conta do governo e a economia estava andando para trás. A principal preocupação deve ser a abertura de vagas de emprego porque sem mão de obra, a roda da economia para. Não se tem produção, para de circular dinheiro e todo o País é impactado. Não sei de que forma ele conseguirá porque o horizonte é nebuloso. É necessário que se cuide também da educação. O amanhã depende do que se faz hoje”, afirmou.

Felipe Gabriel Silva, 22, é metalúrgico e procura emprego há cinco meses. Ontem, em passagem pela Praça Oswaldo Cruz, na região central, ele entregava currículos em busca de qualquer oportunidade de trabalho. “A verdade é que eu estou há tanto tempo procurando trabalho que já abri mão de ser apenas em metalúrgica. Pode ser em qualquer área, o que surgir. Mas está difícil. As empresas e lojas onde eu bato dizem que estão com excesso de funcionários e vão precisar demitir mais. Tenho amigos com graduações e que não conseguem voltar a trabalhar. Como voltar a ter confiança de modo que os setores produtivos voltem a contratar? Essa inflação alta é o mal de tudo. Os empresários não investem, logo não aquecem a economia e nós ficamos sem oportunidades de produzir, de ter vida”, desabafou.

O aposentado André Macedo, 56, recorreu a um antigo ditado para resumir o que pensa do governo do presidente interino Michel Temer. “O que é mais uma flecha para São Sebastião, não é mesmo? Ele tem uma tarefa difícil, a de conter a recessão e fazer a economia voltar a crescer. Com tantos gastos públicos, não sei como fará isso. As pessoas mais pobres não compram porque estão sem dinheiro. Quem tem, está guardando, com receio de piora da crise. O jeito é passar para a iniciativa privada a infraestrutura, além de estabelecer regras para que isso funcione daqui para a frente”, disse.

A coordenadora do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Vânia Pereira da Silva, está em Brasília para acompanhar a programação da Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, um dos últimos eventos públicos da presidente afastada Dilma Rousseff. “Eu vi daqui de Brasília a concretização deste golpe. O Temer não é a solução dos nossos problemas. Ele toma o governo de forma golpista. Não dá para passar o Brasil a limpo desta forma. A composição ministerial anunciada por ele não tem uma mulher sequer, nem negros. A moralidade, tão necessária ao País, não nascerá com este governo”, afirmou Vânia.

O historiador Mário Sérgio de Moraes, professor da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), diz que a essência do governo Temer é Temer. “O novo governo é o velho governo, com vários nomes conhecidos de gestões anteriores. Há uma lua de mel, haverá uma alta nos investimentos, queda do dólar e controle da inflação, só que percebe-se que a articulação deste governo que surge é repleta de fisiologismo, exemplo claro da velha política. A Dilma caiu porque é ruim como governante, mas parece que o brasileiro cospe para cima e não sai de baixo. As moscas mudam, mas o cheiro que as atrai não”, concluiu. (Lucas Meloni)

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