SINAIS

Mogi-Bertioga registra nova queda de árvores

Série de deslizamentos preocupa motoristas que utilizam a rodovia. (foto: João Ricardo Santo)
Série de deslizamentos preocupa motoristas que utilizam a rodovia. (foto: João Ricardo Santo)

A Rodovia Mogi-Bertioga (SP-98) voltou a dar sinais de que é necessária atenção à situação das encostas no trecho da Serra do Mar. Desta vez, a vegetação caiu nos quilômetros 80 e 82, na noite de anteontem, segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), mas não atingiu motoristas e nem precisou de interdição total, porque as equipes conseguiram limpar a via em pouco mais de duas horas. Apesar do pouco reflexo destes dois eventos, ele fazem parte de uma série de deslizamentos que a principal ligação entre Mogi das Cruzes e Bertioga tem registrado desde o mês de fevereiro. Os especialistas ouvidos por O Diário já destacavam, há nove meses, a importância e urgência de um estudo geodinâmico na serra, mas o DER sequer tem data para que ele inicie, mesmo com o verão batendo à porta e trazendo fortes chuvas e rodovias lotadas aos finais de semana. Até o momento, ninguém se feriu com a queda de encostas.

Em nota, o DER informou que, em função das fortes chuvas que atingiram a região na noite desta quarta-feira, ocorreu queda de duas árvores no Km 80 e Km 82 da SP098. “Não houve necessidade de interdição e a vegetação foi imediatamente retirada por equipes a serviço do Departamento. Para garantir a segurança dos usuários, viaturas das Unidades Básicas de Atendimento monitoram a rodovia”, trouxe a nota enviada ao jornal.

O geólogo e pesquisador do Instituto Geológico do Estado,Álvaro Rodrigues dos Santos, diz que ainda que se deva reconhecer a coragem e até o heroísmo dos que se envolveram na abertura da Rodovia Mogi-Bertioga, é forçoso perceber que do ponto de vista técnico, foram cometidos “erros absurdos” na abertura da via, a tal ponto que o preço a pagar por tal disparate tecnológico, especialmente em termos de deslizamentos e quedas de barreiras, será altíssimo e ainda por muito tempo.

“No caso das estradas que atravessam regiões serranas tropicais como a Serra do Mar, onde os deslizamentos são parte integrante de seu comportamento geológico natural, a Mogi-Bertioga adotou generalizadamente a temerária concepção de estrada encaixada por cortes nas encostas. Essa concepção de projeto se mostrou desastrosa e ainda por muito tempo estradas assim construídas vão pagar um alto preço pela imprudência tecnológica cometida, tal o grau de desequilíbrios e instabilidades que esse tipo de implantação provoca nas encostas da serra”, destacou.

Santos usa como exemplo exitoso a construção da Rodovia dos Imigrantes, ao fim dos anos 1960 e início dos anos 1970, com a concepção de projeto que deveria ter sido adotada pela Mogi-Bertioga, qual seja a utilização extensiva de túneis e viadutos com o objetivo de se tocar o mínimo possível nas encostas da serra.

“Agora importa agir no sentido de minimizar ao máximo as decorrências negativas para os usuários da rodovia. E, claro, isso passa de início por uma investigação detalhada de situações geológicas que signifiquem ameaça de futuros deslizamentos, tratando-as preventivamente de forma a evitar o desenvolvimento desses fenômenos. Uma pena que assim seja, pois que essas obras de estabilização geotécnica são extremamente dispendiosas e sua execução vai ‘roubar’ dinheiro público que poderia estar sendo empregado para atenuar tantas carências sociais, como nos setores da saúde e da educação”, enfatizou.

O DER informou ainda que teve início a construção do muro no Km 87 e, nos próximos dias, as obras serão iniciadas no Km 83. O valor do investimento é de R$ 2,1 milhões.

Sobre o processo licitatório dos estudos de geodinâmica, o DER informa que foi publicado no Diário Oficial no dia 2, a homologação e adjudicação da empresa vencedora. O processo já foi convalidado pelos agentes financiadores do empreendimento. A empresa tem prazo legal para entregar o termo de constituição de consórcio na junta comercial para posterior assinatura do contrato.