DOENÇA

Mogi compra 10 mil testes para Covid-19

DIFÍCIL Demora no resultado de teste dificulta diagnóstico. (Foto: divulgação)
META Melhorar os índices de testagem pode ajudar na definição de novas normas de combate à doença. (Foto: divulgação)

A Secretaria Municipal de Saúde está adquirindo 10 mil testes para a confirmação de casos da Covid-19, doença transmitida pelo coronavírus identificado no final do ano passado e denominado Sars-Cov-2. Além dessas unidades, o Ministério da Saúde também promete encaminhar às cidades brasileiras lotes de testes que serão realizados, primeiramente, em pacientes internados em hospitais ou com sintomas mais graves da doença.

A secretária-adjunta de Saúde, Rosângela Cunha, contou ontem que a expectativa é de se iniciar essas análises nos próximos dias. Melhorar os índices de testagem será uma estratégia importante para a definição de novas normas para o enfrentamento e o combate à doença. Até lá, no entanto, todos os esforços são mantidos na política de isolamento social, recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o principal mecanismo para proteger vidas. A lógica desse modelo de prevenção é reduzir a demanda por internação hospitalar e, por consequência, a ampliação do número de mortes.

“Apesar da compra dos testes pela cidade e da vinda dos lotes prometida pelo Ministério da Saúde, nós não conseguiremos testar todas as pessoas com os sintomas da Covid-19. E esse é o nosso maior desafio porque sem ter o conhecimento do número real de infectados, as ações para atender os casos que exigirão internação hospitalar podem ser suficientes ou não, dependendo da contaminação que está acontecendo”, diz a médica pediatra que até o início deste mês estava no comando da Secretaria de Saúde.

Ela afirma que a construção do hospital de campanha, iniciada ontem, é medida preventiva. “Pode ser que os resultados do isolamento sejam satisfatórios, e nós não tenhamos o pior dos cenários, mas ninguém consegue prever isso com exatidão. Por isso, a cautela será adotada pela cidade”, informa.

Os primeiros testes serão destinados a hospitais e serviços públicos. Eles poderão orientar decisões futuras, como a manutenção da quarentena ou o afrouxamento das medidas atuais.

Cada teste custa por volta de R$ 154,00. O exame permite conhecer quem está com o vírus e também quem já esteve contaminado. Esses dados poderão ajudar na composição da estimativa sobre quantos pacientes necessitarão de internação hospitalar ou de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (veja matéria nesta página).

“Os estudos que temos são novos e nos baseamos na experiência de outros países e de pesquisas que estão ainda no começo. Por isso, a dificuldade em se saber quais rumos tomar hoje”, reforça.

A experiência italiana e de outras cidades pelo mundo orienta as políticas de combate à doença em Mogi. A médica cita especificamente o caso de dois municípios na região da Lombardia, Lodi, que adotou as medidas de distanciamento social no dia 23 de fevereiro, e Bergamo, que abraçou tal regra a partir de 8 de março. As curvas de mortes e de contaminação demonstraram que o segundo município teve mais casos de vítimas da pandemia.

Questionada sobre os desafios desse momento excepcional na saúde mundial, Rosângela cita as fake news, falsas notícias, e a inconsistência dos dados, que provoca insegurança e medo, inclusive entre as equipes médicas.

Sobre os prejuízos com as falsas notícias, replicadas à exaustão em redes sociais, ela comentou o caso de um baile funk que estaria sendo realizado em um bairro mogiano. “A Secretaria recebeu a notícia, precisou acionar a Guarda Municipal, e descobriu-se que era uma mentira. O problema é que deslocamos nossas equipes e tiramos o foco nas ações preventivas, que estamos tomando, para ir atrás de uma fake news. Recursos materiais e humanos poderiam estar sendo usados na proteção de vidas, mas não…”, lamenta.

Por outro lado, a médica fala de outro complicador: o medo instalado entre todos pela dificuldade de se entender o que realmente pode acontecer no futuro. “O médico, o enfermeiro, não é um super-herói. Ele tem família, e também está em busca das respostas que ainda não temos. Então, trabalhar com esses sentimentos entre a equipe de profissionais da saúde é muito desafiador. Estamos trabalhando com pessoas, como os pacientes”, contextualiza.


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