COVID-19

Mogi das Cruzes amanhece deserta no primeiro dia de quarentena; veja fotos

DIFERENTE DEMAIS Em plena terça-feira, o calçadão da rua Dr. Deodato, no Centro, se apresenta com as lojas fechadas enquanto uma viatura da PM faz o patrulhamento. (Foto: Elton Ishikawa)

Em um cenário atípico e desolador, porém classificado como essencial para conter a proliferação do novo coronavírus (Covid-19), grande parte das ruas, avenidas e praças de Mogi das Cruzes amanheceu deserta ontem – o primeiro dia de quarentena obrigatória estipulada pelo governador João Doria (PSDB) para todo o Estado. Os estabelecimentos comerciais não-essenciais deverão passar as próximas semanas fechados e estão sujeitos à fiscalização, que promete ser rigorosa em Mogi. Ao todo, 12 fiscais, divididos em plantões de 24 horas, e todo o efetivo da Guarda Municipal atuarão para garantir o cumprimento das determinações no município.

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De acordo com o secretário municipal de Segurança, Paulo Roberto Madureira Sales, apenas ontem foram seis notificações por parte da Prefeitura a comerciantes que relutaram em seguir a quarentena. De acordo com ele, nenhuma multa precisou ser aplicada no dia. “Nosso papel é garantir que a situação não se agrave para muitos por causa da irresponsabilidade de poucos”, pontua Sales, ao acrescentar que “a situação é séria e estamos tentando salvar vidas”.

Os valores das multas variam de 3 a 30 Unidades Fiscais do Município (UFMs), o que corresponde a valores entre R$ 539,28 e R$ 5.392,80. Com o início da quarentena, as punições podem ser ainda maiores, inclusive com risco de prisões e cassação de alvarás de funcionamento.

A população também pode colaborar com denúncias, por meio do telefone 153, da Guarda Municipal. O atendimento é feito 24 horas por dia e foi ampliado durante o período de crise.

Além das medidas de funcionamento do comércio e de estabelecimentos, também são verificados casos de aglomeração de pessoas, que não podem acontecer.

Prova de que parte da população tem respeitado a quarentena, no início da tarde desta terça-feira, o silêncio reinava em centros comerciais da região central da cidade, como a rua Dr. Paulo Frontin e proximidades do Mercado Municipal. Com quase todo o comércio fechado, o movimento de consumidores estava concentrado nos serviços que permaneciam abertos, como mercados e farmácias. Mas, apesar do apelo de praticamente todas as autoridades para que as pessoas “ajudem e fiquem em casa”, a reportagem de O Diário flagrou dezenas de idosos sentados em praças, casais andando de mãos dadas acompanhados de crianças pequenas para fazer compras e até pequenas aglomerações.

Grande parte das pessoas nas ruas usava máscara para tentar se proteger, porém não seguia a etiqueta respiratória, colocando a mão na boca a todo o momento para ajeitar o assessório ou para comer, aumentando assim a chance de contágio da doença.

Quando questionado pela reportagem, um grupo de pessoas de diversas idades que se amotinava na praça Coronel Almeida respondeu em poucas palavras e de forma agressiva que “não falaria nada sobre isso”. No lado positivo, havia grande quantidade de policiais militares e guardas municipais nas ruas orientando a população sobre a situação que o país enfrenta, além de profissionais que realizavam a limpeza de áreas públicas – estes, em gestos de gratidão, receberam palmas e elogios da população.

“Nunca pensei em ver essa rua tão vazia, parece que estamos em um filme”, relata a auxiliar de uma farmácia da rua Paulo Frontin, uma das mais movimentadas de Mogi. “Porém, o movimento ainda persiste, a maioria das pessoas que vi por aqui é formada por idosos, que teimam em respeitar a quarentena”, adverte a profissional.

“As pessoas não tem levado a situação a sério, muitas vêm na farmácia para comprar um ou dois itens não tão importantes, e voltam daqui a dois dias. Eu, se pudesse, não sairia de casa”, lamenta ela, ao acrescentar que “sabemos que muitos idosos não têm alguém para comprar itens para eles, mas também há muitos que estão saindo para passear. A família precisa ficar em cima”.

Esse é o caso de uma senhora de 67 anos que conversou ontem com a reportagem e se identificou apenas como “Maria”. A aposentada relatou que não tinha medo de ser infectada, “precisava comprar um remédio para dor de cabeça e não vou esperar outra pessoa comprar para mim”, relatou ela, ao contrariar a recomendação dos médicos.

“Vi muita gente na rua e isso me entristeceu, muitos não estão levando a situação a sério, fiquem em casa”, reforçou o secretário de Saúde de Mogi, Henrique Naufel, em transmissão ao vivo.

Apenas serviços essenciais estão em atendimento

Passou a valer ontem a quarentena nos 645 municípios do Estado de São Paulo. Determinada pelo governador João Doria (PSDB), a medida obriga o fechamento do comércio e mantém os serviços essenciais, como as áreas de saúde, alimentação e segurança.

Vale ressaltar que outros serviços já estavam paralisados, como as aulas das escolas estaduais, municipais e particulares. O rodízio de veículos está suspenso desde 17 de março, e todos os eventos em que há reunião de fiéis, independentemente de religião, como cultos e missas, foram proibidos pela Justiça em todo o Estado.

O decreto paulista não restringe a circulação de pessoas, como é o caso em países como a França e a Itália. Recomenda, no entanto, que ela se limite às necessidades imediatas de alimentação, cuidados de saúde e atividades essenciais.


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