FÁBRICA

Mogi das Cruzes quer atrair unidade da empresa chinesa Huawei

CENÁRIO Distrito do Taboão é uma das áreas com potência para receber empresas. (Foto: arquivo)

Ainda nesta semana, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento deverá formalizar o interesse de Mogi das Cruzes em sediar a segunda fábrica da multinacional chinesa Huawei no Estado de São Paulo. A pasta está concluindo um documento que será encaminhado à direção da empresa e também ao governador João Doria (PSDB) e à secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen da Silva, apresentando o município como um dos dispostos a disputar o investimento estimado em US$ 800 milhões, anunciado no início deste mês, em Xangai. A unidade deverá gerar mil empregos diretos.

Há 20 anos no Brasil, a Huawei é considerada a maior fornecedora de equipamentos para redes e telecomunicações na atualidade. Entre seus produtos mais populares estão os celulares, tablets e notebooks. Ela possui desde a década passada uma empresa de celulares e tablets em Sorocaba, onde gera 2 mil empregos diretos e até 15 mil indiretos, segundo algumas publicações especializadas.

A abertura da segunda fábrica em São Paulo foi um dos principais resultados da visita de João Doria à China.

Ao formalizar o interesse, a Prefeitura irá apresentar créditos que foram determinantes a Mogi na conquista de indústrias de grande porte, como a GM do Brasil.

A seu favor, afirma o economista Claudio Costa, diretor da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Mogi das Cruzes possui a localização estratégica na Região Metropolitana de São Paulo, oferta de terrenos destinados à atividade industrial e condições socioeconômicas que podem influenciar na tomada de decisão sobre a instalação de um novo negócio.

Além da proximidade com os sistemas rodoviários Ayrton Senna-Carvalho Pinto, Presidente Dutra, as alças Sul e Norte (em construção) do Rodoanel, e, por consequência desses acessos, ao Porto de Santos, Aeroporto Internacional de Guarulhos e cidades do eixo São Paulo e Rio de Janeiro.

O diretor de Desenvolvimento aposta em outras características para atrair o investimento. “Nós temos um custo médio de vida 40% menor do que o de outras cidades com vocação industrial, na Região Metropolitana de São Paulo. E, além disso, o valor de contratação da nossa mão de obra é 25% menor do que em outros centros”.

Ele também comenta que a proximidade com o aeroporto e os portos do litoral é um fator de economia para empresas como a Huawei, que irá distribuir seus produtos por todo o Brasil e outros países da América Latina. Em Sorocaba, a empresa possui um centro de distribuição.

O Governo do São Paulo, na opinião de Costa, abriu um canal de comunicação “importantíssimo” para a atração de novos negócios ao abrir um escritório próprio, em Hong Kong. A unidade terá foco no desenvolvimento das relações econômicas entre o Estado e a China.

As próximas portas a serem batidas para apresentar o nome de Mogi à gigante chinesa das comunicações será as do Governo do Estado. “O prefeito Marcus Melo está sempre com o governador, que já conhece o potencial de Mogi”, diz.

A atração desse empreendimento integra o pool de ações anunciadas pelo programa Desenvolve Mogi para a geração de empregos qualificados nos próximos anos no município. Uma das metas prioritárias, segundo Costa, é elevar o índice salarial da cidade, hoje abaixo de municípios com potencialidades semelhantes (proximidade com São Paulo e o Litoral, mão de obra qualificada, e oferta de imóveis em zonas exclusivas de interesse industrial, caso no bairro do Taboão, e de outros polos industriais existentes em bairros como Braz Cubas, Vila São Francisco e até Jundiapeba).

“Ainda está na indústria o emprego que melhor paga aos funcionários”, reforça Claudio Costa. Em média, segundo ele, o salário na indústria corresponde a R$ 3,2 mil, enquanto no comércio, esse valor baixa para cerca de R$ 1,7 mil, e no agronegócio, R$ 1,3 mil. O segundo lugar nesse ranking está ocupado pela prestação de serviços: R$ 2,1 mil pagos em média.