MEIO AMBIENTE

Mogi das Cruzes registra 200 pedidos de poda por mês

ALERTA Após reclamação, a Prefeitura confirma problema em árvore no centro. (Foto: Elton Ishikawa)

O frondoso exemplar da espécie Squizolobium paraíba, popularmente conhecida como guapuruvu, localizado na esquina das avenidas Narciso Yague Guimarães e Antonio Cândido de Souza Xavier, no Centro Cívico, deverá ser cortado nas próximas semanas pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente. Com problemas visíveis no tronco, a árvore será uma das próximas a ser retirada pela equipe responsável pelas podas e extrações de vegetação. Desde outubro, esse serviço passou a ser feito pela pasta. Por mês, a Prefeitura recebe 200 pedidos de avaliação de espécies com risco de queda ou patologias pelo telefone 156 da Ouvidoria Municipal.

Na lista atual das espécies que serão extraídas estão outras quatro árvores da Vila Oliveira, que seriam suprimidas há algumas semanas, porém, após um questionamento feito pelo Ministério Público, a operação foi suspensa para que a Prefeitura explique os motivos da medida. Segundo o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Daniel Teixeira de Lima, o corte somente acontece quando a análise técnica determina a inviabilidade de se preservar a espécie. Para chegar a esse veredicto, a avaliação é baseada em um exame feito por um aparelho chamado penetrômetro que atesta as condições biológicas e o risco de queda.

Após ser informado sobre as condições periclitantes do guapuruvu, uma árvore encontrada em vários pontos da cidade e caracterizada pelo crescimento rápido, Lima confirmou a necessidade de se suprimir a espécie – o que será feito em breve já que, no momento, a equipe de poda atua na contenção de galhos e troncos caídos por causa das chuvas.

Na fila de espera pelo procedimento estão estas cinco árvores. As quatro primeiras já estavam para ser cortadas, mas um pedido de informações feito pelo MP postergou a medida. “Estamos explicando o motivo da supressão e acreditamos que logo vamos fazer isso”, comentou o secretário.

Balanço

De outubro a ontem, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente realizou 1.578 podas, em um novo sistema de acompanhamento dos pedidos formalizados por moradores da cidade na Ouvidoria Municipal. Com a transferência da equipe antes abrigada na Secretaria Municipal de Serviços Urbanos para o Meio Ambiente, uma outra estratégia foi implantada, com o atendimento não apenas de uma determinada árvore, alvo da solicitação, mas das demais existentes na mesma rua ou região. “Dessa maneira, conseguimos prevenir quedas e outros problemas em um mesmo perímetro”, explicou o secretário.

Segundo ele, de cada 10 pedidos de poda, apenas um exige a supressão. “Na maior parte das vezes, são realizadas outras ações como a poda para a conservação da espécie”. O maior desafio da cidade hoje é ampliar a área urbana coberta por vegetação (veja matéria abaixo).

Pasta afirma que vai plantar 25 mil mudas

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente tem nove meses para atingir a meta de plantar 25 mil árvores e chegar à marca de 50 mil novas mudas prometidas pela atual administração municipal. A marca, garante o secretário Daniel Teixeira de Lima, será atingida. Desde 2017, metade deste total segundo ele, foi doada aos mogianos e plantada em espaços públicos como praças, parques e a Ilha Marabá.

A ampliação da vegetação verde faz parte do Plano Municipal da Mata Atlântica, que está atualmente em consulta, no site da Prefeitura. A Secretaria estima que a cidade possui 52.500 árvores, sendo 40 mil nas propriedades privadas e 12.500 em vias e espaços públicos.

Nos dois primeiros meses deste ano, mudas não foram plantadas por causa do encharcamento do solo. Após o período das chuvas, o secretário conta que irá intensificar a doação de mudas e o plantio.

Ele aposta que irá atingir a marca com a ajuda da população. Em eventos públicos, como o projeto Bairro Feliz, de 50 a 100 mudas de espécies nativas são distribuídas aos participantes. “Nós acreditamos que elas estão sendo plantadas nas casas e bairros”, comenta.

O plano de arborização pretende combater problemas como as ilhas de calor formadas em bairros mais cinzas do que verdes, caso de pontos como o distrito de Jundiapeba – que possui o menor número de árvores plantadas na cidade – e Braz Cubas.

Estudos feitos pela Prefeitura apontam a diferença de 14 graus entre Jundiapeba e a Vila Oliveira, região campeã em vegetação em vias públicas e no interior das residências. “Pontos mais quentes, além do desconforto térmico, também registram índices pluviométricos maiores”, lembra o secretário.

Um dos planos da pasta é encontrar saídas para melhorar o índice de vegetação nas antigas vias da região central, que são estreitas, e possuem imóveis sem jardins ou quintais para se promover o plantio de árvores. “Precisamos encontrar meios de melhorar a cobertura vegetal nesses pontos”, acrescentou Lima.

Outra projeto em andamento é o levantamento das espécies existentes na cidade e a formatação de um mapa com a identificação dos pontos arborizados.

Eleição para conselho atrai só 13 entidades

Marcada para amanhã, a partir das 9 horas, a eleição do Conselho Mogiano de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Comoma) conseguiu mobilizar um pouco mais a sociedade civil neste ano. Em 2018, foram habilitadas nove entidades para a disputa das nove cadeiras destinadas a entidades representativas. Neste ano, esse número teve leve alta: 13, e a Associação dos Moradores da Vila Oliveira questionou o processo eletivo no Ministério Público, mas não se habilitou para ingressar no órgão.

Para Daniel Teixeira de Lima, secretário municipal de Meio Ambiente, e presidente atual do Comoma, o interesse foi maior, porém menor do que o desejável. “Gostaríamos que mais entidades participassem porque o conselho é um instrumento forte para a conquista de ações ambientais”, destacou.

Houve maior procura por ONGs ligadas ao meio ambiente (foram três, neste ano, os institutos Ecofuturo, Embu e Paraíso da Fonte, de Jundiapeba), já a representação de associações de bairros atraiu apenas uma entidade.

A gestão do Comoma é de dois anos. A presidência deverá permanecer nas mãos do secretário do Meio Ambiente. O Poder Executivo possui nove cadeiras e a sociedade civil será representada por outros nove integrantes, que serão definidos na eleição, na sede da Secretaria do Meio Ambiente.

Da atual gestão, Lima aponta como destaques, a criação do Fundo Municipal do Meio Ambiente, que garantiu a reabertura da Ilha Marabá, e a realização do Seminário Regional das Barragens, em julho do ano passado, quando a operação de controle do nível das represas do Alto Tietê provocou alagamentos em áreas produtivas e bairros de Jundiapeba; além da manutenção de Mogi no programa estadual Município Verde e Azul.

Por ano, o Comoma é obrigado a realizar quatro reuniões. Em 2019, foram nove encontros, com as atas das discussões disponibilizadas publicamente no site da Prefeitura.


Deixe seu comentário