ALIMENTAÇÃO

Mogi entre veganos e vegetarianos

INOVAÇÃO Inclusão de opções veganas e vegetarianas nos cardápios de lanchonetes e restaurantes de Mogi atendem pessoas que não consomem produtos de origem animal. (Foto: Eisner Soares)
INOVAÇÃO Inclusão de opções veganas e vegetarianas nos cardápios de lanchonetes e restaurantes de Mogi atendem pessoas que não consomem produtos de origem animal. (Foto: Eisner Soares)

No ano passado, a pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) surpreendeu ao mostrar que 14% da população brasileira dizem não incluir carne em sua dieta. O número aponta um crescimento de 75% em relação a 2012, quando apenas 8% dos brasileiros falaram em excluir a carne. Na Região Metropolitana de São Paulo, aonde está Mogi das Cruzes, o aumento foi ainda maior, indo dos mesmos 8% para 16%. No total, são quase 30 milhões de pessoas no Brasil que se declaram veganas ou vegetarianas. Mas, afinal, o que significa cada um desses conceitos?

A nutricionista Brenda Luciano explica que o veganismo vai muito além da dieta e é visto como um movimento social. Aqueles que se declaram veganos não incluem nada de origem animal não apenas no cardápio, mas também no vestuário, cosméticos e qualquer outro produto de maneira geral.

ALERTA Brenda destaca a orientação de profissionais. (Foto: divulgação)

“Já no vegetarianismo existem outras classificações, como o ovolactovegetariano, que consome laticínios, ovos e os derivados. O vegetariano exclui todos os alimentos de origem animal como um todo, mas pode utilizar algo que foi testado em animais, por exemplo. A diferença é que o veganismo é mesmo um estilo de vida”, comentou Brenda.

Por ter muitas restrições na alimentação, os conceitos podem dar uma falsa impressão de vida saudável. A nutricionista alerta, porém, que é recomendável sempre buscar um profissional, já que excluir os produtos de origem animal é sinônimo de comer bem. Ela dá como exemplo as frituras que ainda poderão ser consumidas. Ressalta também que ao fazer a transição muitas pessoas passam a comer massa demais e chegam até mesmo a ganhar preso, quando diminuem em grande escala o consumo de proteína aumentando o de carboidratos.

A proteína, entretanto, é facilmente encontrada em produtos de origem vegetal, mas o mesmo não acontece com a vitamina B12. “Ela está exclusivamente nos produtos de origem animal e, por isso, é recomendado que os veganos estritos e os vegetarianos façam exames regularmente para identificar uma possível necessidade de suplementação. Além disso, a proteína animal é 100% absorvida pelo organismo, enquanto a vegetal precisa que combinações sejam feitas para que isso aconteça”, alertou a nutricionista.

Por isso, mesmo com todas as recomendações, Brenda incentiva a busca por um profissional que possa recomendar as melhores combinações, sem que as pessoas tenham prejuízos na saúde ou a carência de qualquer outra vitamina.

Feira Orgânica é opção para compras na cidade

Para quem, além de não ingerir produtos de origem animal, deseja ainda ter uma alimentação mais saudável, os produtos orgânicos são ideais. Isso porque eles não contam com a adição de adubos químicos e agrotóxicos. Entretanto, esses alimentos podem apresentar certa dificuldade para serem encontrados. Por isso, a Feira Orgânica realizada todos os sábados, das 8 às 13 horas, em frente ao Parque da Cidade pode ser uma opção.

A atividade, organizada pela Secretaria Municipal de Agricultura, oferece produtos hortifrutigranjeiros orgânicos e outros alimentos, como farináceos sem glúten, chia, linhaça, arroz, tapioca, mistura para bolo, cacau em pó, entre outros.

Desde o ano passado a feira noturna do centro, realizada todas as quintas-feiras, das 16 às 21 horas, ganhou novas opções gastronômicas. Além das barracas com os pratos prontos, a mercearia também recebeu novidades e passou a ofertar os produtos orgânicos.

Rede tem hambúrguer brasileiro 100% vegetal

Ter uma opção vegana para tudo o que é oferecido no cardápio seria o “cenário ideal” para uma rede de hamburguerias de Mogi das Cruzes, segundo Guilherme Tadayoshi Sato, que está à frente do departamento de comunicação e marketing dos estabelecimentos. Enquanto isso ainda não é possível, os responsáveis pelo desenvolvimento dos lanches e acompanhamentos tentam maneiras de agradar o nicho de pessoas que não consomem produtos de origem animal, em constante crescimento.

ATRATIVO Guilherme Sato destaca opções veganas no cardápio. (Foto: Divulgação)

Com cinco lojas em funcionamento, a sexta deverá ser inaugurada até o final deste mês, no Mogi Shopping. Junto ao novo ponto, a rede pretende levar para todas as unidades o Futuro Burger. Este é o primeiro hambúrguer brasileiro 100% vegetal e foi desenvolvido pela Fazenda do Futuro por meio da Inteligência Artificial. O produto tem cor, textura e sabor semelhante ao da carne bovina.

“Nosso processo vem atendo a necessidade de ter um cardápio mais variado para atender melhor o público. Há três anos começamos a pensar nas opções veganas, mas temos estudado pensando muito em como encarar a premissa não só como onda, mas sim para trazê-la de uma maneira verdadeira, visto que é empresa que vende muita carne. Agora, já encontramos um queijo à base de castanhas, estamos refazendo uma receita de pão que já usamos e desenvolvendo um molho vegano”, revelou Sato.

Tudo isso para que o lanche com o hambúrguer vegetal não contenha nenhum produto de origem animal. Hoje, entretanto, o restaurante já oferece uma opção para aqueles que se restringem a comer carne, com um hambúrguer de falafel, mas ainda com produtos derivados do ovo e leite na receita do prato.

Sato afirma que o restaurante busca desmistificar a história de que uma dieta sem produtos de origem animal é sinônimo de comer coisa ruim. “Existe um processo de informação que é muito complexo, mas nós pensamos em coisas gostosas como nosso princípio primordial. Isso é possível, mas demanda todo um tempo e estudo”, finalizou.

Da feijoada sem proteína animal à coxinha de jaca

ESPECIAL Lana serve feijoada para veganos em lanchonete. (Foto: Edson Martins)

Quando abriu uma lanchonete no centro de Mogi das Cruzes, Lara Maschio Chaer não tinha como objetivo atrair o mercado vegano. Foi quando uma amiga lhe apresentou a coxinha de jaca que estava produzindo e a proprietária aceitou incluí-la no cardápio. De lá para cá viu uma “invasão” das opções veganas em seu estabelecimento, que hoje serve até mesmo feijoada sem qualquer ingrediente de origem animal.

“Quando abro um negócio estou ciente de que tudo que esteve no projeto pode ser alterado conforme ‘a música toca’. Com isso, veio também todo conhecimento a respeito do vegetarianismo e veganismo e foi lindo. Confesso que existe muito amor e respeito, os clientes viraram amigos e a troca é constante, nos acrescentando a cada momento”, comentou Lara.

Sobre os valores dos produtos veganos, a proprietária explica que muitas vezes eles são mais altos por todo o cuidado e trabalho no momento de preparo. No estabelecimento comandado por ela, por exemplo, ela compra prontos os alimentos de origem animal, enquanto a culinária vegana, Lara diz ser uma “alquimia”.

“Se formos comparar os valores dos alimentos, os de origem animal são muito mais caros, mas dá trabalho porque as receitas não existem no caderninho da vovó carnista guardado na gaveta. A gente tenta trabalhar com valores justos, costumamos dizer que aqui é o ‘boteco vegano’ da galera. Os alimentos veganos são manipulados aqui até quatro vezes na semana e separado dos outros”, frisou a proprietária.