PESQUISA

Mogi está na lista de cidades em que água tem agrotóxico

Levantamento aponta presença de agrotóxicos. (Foto: divulgação)

Um levantamento elaborado pela Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye apontou que 504 municípios de São Paulo têm na água um coquetel composto por 27 agrotóxicos. Entre elas está Mogi das Cruzes e todas as outras cidades do Alto Tietê, com exceção de Salesópolis, onde foram encontrados 13 pesticidas. Apesar de os dados serem do Ministério da Saúde – integrantes do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua) – as publicações utilizaram o parâmetro da União Europeia ao realizar a análise.

Dentre essas 27 substâncias, 16 são classificadas pela Anvisa como extremamente ou altamente tóxicas e 11 estão associadas ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas. Algumas delas, entretanto, são permitidas no Brasil, como o alacloro, encontrado em 121 dos 126 testes feitos em Mogi, entre 2014 e 2017. Pela União Europeia, porém, o herbicida é classificado como uma substância com evidências de causar distúrbios endócrinos, que afeta o sistema hormonal.

Outros agrotóxicos são também proibidos no Brasil, caso do aldicarbe. No mesmo período de testes, o elemento foi detectado em 117 das 122 análises realizadas na cidade. Conhecido popularmente como chumbinho, começou a ser usado no Brasil para outros fins, como agente abortivo e em tentativas de homicídio e de suicídio, acarretando um grave problema de saúde pública. Por isso, passou por uma reavaliação, deixando de ser permitido. Ao total, são 10 proibidos no país, enquanto os demais 17 são aceitos.

Presidente do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, Minoru Mori diz que ainda não tem conhecimento do estudo e, portanto, não sabe aonde foram colhidas as amostras de água, além de não ter conhecimento da metodologia utilizada. Apesar disso, afirma que não há motivos para alarde da população, já que levantamentos feitos anteriormente pela entidade mostraram que os riscos de contaminação da água mogiana eram pequenos.

A Prefeitura publicou ontem nota em seu site, afirmando que o Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) realiza cerca de 9 mil análises mensais para “manter a qualidade da água consumida pela população”. Consta no texto que “diferentemente do estudo, o Semae garante que não há motivo para alarde e que a água distribuída pela autarquia é de qualidade e não coloca a saúde da população em risco”.

A Secretaria Municipal de Agricultura explicou que “o registro e uso de agrotóxicos são controlados por uma série de órgãos, como Cetesb, Ministério da Agricultura, Ministério da Saúde e Ministério do Meio Ambiente”.

A pesquisa completa está no site portrasdoalimento.info/agrotoxico-na-agua.