EQUIPAMENTO

Mogi inaugura inicia tratamento de dependentes químicos pelo Caps Álcool e Drogas

Centro de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas oferece tratamento psiquiátrico e psicológico a dependentes químicos. (Foto: Eisner Soares)
Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas oferece tratamento psiquiátrico e psicológico a dependentes químicos. (Foto: Eisner Soares)

Desde segunda-feira, a abertura da primeira unidade do Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps-AD) passa a oferecer o tratamento psiquiátrico e psicológico a dependentes químicos de Mogi das Cruzes. O local funcionará de portas abertas, e os pacientes não precisarão de encaminhamento de outra unidade de saúde para acessar o serviço projetado para assistir 400 pessoas por mês. O equipamento completa a rede de atenção à saúde do Município.

No primeiro dia de atendimento, 10 pacientes foram recebidos pela equipe multidisciplinar, formada por psicólogo, psiquiatra, enfermagem e oficineiros, que trabalharão de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17 horas.

Os pacientes do Caps-AD serão protagonistas de um Projeto Terapêutico Singular (PTS) elaborado após uma análise do perfil da dependência e as recomendações de tratamento. Além das consultas, os pacientes com indicação para isso poderão permanecer durante o dia na unidade para a participação de terapias complementares, como oficinas de música, marcenaria e horta.

Tudo isso será determinado a partir de uma demanda que a Secretaria de Saúde ainda desconhece, como afirma a médica Rebeca Ribeiro Barufi, diretora da Rede Básica de Saúde. “Como abrimos ontem (segunda-feira), estamos conhecendo a realidade da demanda, o que já sabemos, é a necessidade, por exemplo, do atendimento a pessoas em situação de rua, mas qualquer paciente morador na Cidade poderá ser assistido ali”, esclareceu.

Não há uma pesquisa municipal sobre o total de dependentes. A rede municipal possui um Caps II, destinado a atendimentos da Saúde Mental, no Jardim Maricá, e psicólogos que atendem uma vez por semana, em sete unidades básicas, dependentes químicos (nos jardins Camila, Ivete, Santa Tereza e Universo, Vila Suíssa, Ponte Grande e Jundiapeba).

Na Cidade, por mês, são solicitadas uma média de 5 internações hospitalares (último recurso para o tratamento) para assistir pessoas com síndrome de dependência, devido ao uso de múltiplas drogas (60% dos pedidos) e de álcool (35%).

A estrutura do Caps-AD permite a permanência dos pacientes no local durante todo o dia. Serão servidas, inclusive, refeições como café da manhã e almoço. Mas uma parte dos dependentes será atendida semanalmente, dependendo das fases do tratamento. Outro diferencial será a busca ativa: pacientes que desistirem do tratamento serão procurados em casa ou nas ruas pelos servidores.

O Caps AD está alinhado às políticas nacionais para dependência química, que recorrem às internações, somente em crises de abstinências severas, e não são compulsórias. Para as internações, Mogi conta com a clínica para dependentes do Hospital Dr. Arnaldo Pezzutti Cavalcanti, em Jundiapeba, e os leitos/dia do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo.

Rebeca afirma que famílias que possuem integrantes com dependência química em casa poderão levá-los ao local. Ela destaca, aliás, o papel da família na recuperação do paciente.

Os atendimentos serão prestados a homens e mulheres maiores de 16 anos. Por mês, o custeio da unidade é de R$ 211 mil. A obra do Caps AD foi entregue em 2016, e por falta de recursos financeiros, somente agora o serviço começa a funcionar.