EDITORIAL

Mogi na identidade

A presença do público no desfile de aniversário de Mogi das Cruzes reafirma os valores de uma parcela dos moradores da cidade a caminho agora dos 460 anos de fundação e uma divisão administrativa responsável por representar e conectar no mesmo chão, 445 mil pessoas, segundo informa a mais recente estimativa populacional do IBGE, divulgada semana passada.

Grande parte das cidades brasileiras aboliu os desfiles das comemorações de aniversário nos anos seguintes ao fim do regime militar. Durante alguns bons anos, Mogi também extinguiu o modelo, mas acabou reavivando a festa cívica que agrada uma parte dos moradores, como se viu no domingo último.

A este jornal, um dos entrevistados participantes descreveu o que move o público a sair de casa em uma manhã chuvosa e acompanhar os alunos da rede pública que atravessaram a Avenida Cívica contando um pouco do que é a cidade hoje.

Mogiano, Gustavo Siqueira levou pela primeira vez o filho de um ano a uma tradição que perdeu fôlego e vigor, quando comparados edições mais antigas, porém, ainda se mantém forte o bastante para atrair espectadores.

“Algumas pessoas dizem que é perda de tempo (celebrar o aniversário com um desfile), mas a minha família sabe o valor da cidade e temos muito a agradecer a ela”, disse Gustavo.

Um pouco diferente do que se viu nas estimativas sobre as milhares de pessoas que foram aos shows populares e gratuitos, o público e os participantes do desfile saíram de casa na manhã fria em nome de um compromisso pessoal com a agenda da cidade e com as futuras gerações. A maior parte dos 8 mil integrantes do desfile era estudante e professor da rede pública de ensino.

Nesse aspecto, o desfile expressa uma positiva ligação das pessoas com a vida pública da cidade, num contraponto do muito que se vê em conversas e nas redes sociais, onde rege o clima de desalento e desesperança com a coisa pública.

A adesão às comemorações (os shows, a Expo Mogi, o desfile) chancela o valor das relações cultivadas entre o mogiano e a cidade. Reforça o que este jornal confirma todos os dias: a vocação do morador mogiano para a participação comunitária demonstrada, claro, não apenas no dia da festa, mas nos resultados do projeto social, político e econômico lançado em 1611 quando um pequeno povoado se transformou na Vila de San’Anna de Mogi Mirim, primeiro nome de bastismo de Mogi das Cruzes. É por causa de seus moradores que Mogi sabe de seus desafios, mas orgulha-se de estar onde está: entre as melhores cidades brasileiras para se viver e trabalhar.