ECONOMIA

Mogi pede revisão em estudo que define nível de quarentena

MEDIDA Com a classificação vermelha pelo Estado, Mogi deverá manter a quarentena até 15 de junho. (Foto: Eisner Soares)
DADOS Um levantamento feito pela Secretaria Municipal de Saúde mostra, por exemplo, que a taxa de ocupação de leitos de UTI no município é bem inferior à da Capital. (Foto: arquivo)

O prefeito de Mogi das Cruzes e demais cidades da região pressionam o Governo do Estado para incluir os municípios do Alto Tietê na fase dois do Plano de Retomada Consciente da Economia a partir do dia 1º de junho. As lideranças políticas e representantes de setores do comércio reagiram com indignação à decisão do governo de manter as cidades na zona vermelha (maior risco) dentro do programa de combate ao coronavírus, o que permite o funcionamento apenas das atividades essenciais até o dia 15 de junho. O assunto foi pauta do encontro realizado no final da tarde de ontem entre representantes do Consórcio de Desenvolvimento do Alto Tietê (Condemat) com a Secretaria de Desenvolvimento Regional para tratar da questão. A partir do resultado desta reunião serão definidos os próximos passos a serem adotados pelo órgão.

O prefeito Marcus Melo (PSDB) já tinha tratado do assunto com secretário municipal de Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo, Marco Vinholi, em reunião virtual, e solicitou ao Comitê Estadual Gestor da Covid-19 que realize a revisão no estudo para que Mogi e a região recebam tratamento diferenciado dos demais municípios da Grande São Paulo, porque o Alto Tietê tem características diferenciadas e conta com estrutura para atender a demanda de pacientes de Covid-19.

MEDIDA Com a classificação vermelha pelo Estado, Mogi deverá manter a quarentena até 15 de junho. (Foto: Eisner Soares)

Além de ter unidades de referência, Melo observa que Mogi, assim como outros vizinhos, instalaram hospitais de campanhas para ampliar a quantidade de leitos demanda. Ele afirma que a ocupação de UTI e enfermaria na cidade está abaixo do município de São Paulo, classificado na fase dois, amarela (risco elevado), autorizada a liberar atividades imobiliárias, escritórios, concessionárias, comércio e shopping center.

Segundo Melo, até ontem, os hospitais da cidade estavam com 57% de internação em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 50 de vagas na enfermaria, enquanto São Paulo estava com mais de 85% de ocupação. “Nenhum dos prefeitos da região concordaram com essa medida. Não podemos ser avaliados como região da Grande São Paulo. Se muitas cidades podem ser avaliadas de forma separada, entendo que Mogi também deveria ter esse tratamento. A cidade já poderia estar na fase dois e até três, porque nossos indicadores são bem melhores do que os da Capital. É incoerente a maneira como foi feita essa avaliação e estamos pedindo reavaliação dos critérios. Acredito que os técnicos estejam com as informações desatualizadas no sistema, não compatíveis com o que estamos vivendo”, relata Melo, que ontem não pode estar presente na reunião com agentes do Estado porque ainda tem que cumprir o isolamento exigido para pessoas contaminadas pela Covid-19.

O prefeito acredita que o município está preparado para iniciar a flexibilização da economia já no início de junho, mesmo nessa fase de proliferação do vírus no município. Ele lembra que nas últimas semanas realizou encontros com representantes de vários segmentos econômicos e que a maioria já tem planos elaborados para retomar as atividades, seguindo os protocolos de distanciamento, uso de máscaras, controle de pessoas e medidas de higienização para garantir a segurança dos colaboradores e consumidores.

“Pretendemos abrir algumas atividades, com horários e capacidade de público reduzidos. É importante que todos entendam que mesmo se houver abertura, continuamos em período de pandemia, que não estamos voltando à normalidade e que as medidas de isolamento continuam e todos que podem devem ficar em casa, porque o vírus continua circulando por aí”, alerta. De qualquer forma, a expectativa dele é positiva sobre uma possível revisão por parte do Estado.

Sincomércio colhe adesão a abaixo-assinado

O Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e região (Sincomércio) decidiu fazer um abaixo-assinado contra a decisão do Estado de classificar o município como zona vermelha no plano da Retomada Consciente da Economia. A entidade quer que o município pressione o Governo para permitir que alguns setores possam reabrir a partir de 1º de junho, a exemplo da cidade de São Paulo.

O presidente do Sincomércio, Valterli Martinez, disse que ontem a entidade protocolou um ofício na Prefeitura, para registrar um protesto contra o prazo estipulado pelo governo para iniciar a flexibilização a partir de 15 de junho. O objetivo da entidade é chegar a mais de mil assinaturas entre a petição física e online para pedir a elevação de Mogi à classificação 2. Ele explica que os comerciantes querem que a Prefeitura adote medidas cabíveis nesse sentido.

“O plano de contenção apresentado pelo Estado afetará diretamente o comércio de Mogi. A flexibilização das atividades na cidade São Paulo é vista também como prática de concorrência desleal ante a proximidade de nossa cidade e a Capital, desta forma, queremos que o prefeito comece a flexibilizar de forma consciente o comércio, para que os comerciantes possam reabrir suas lojas, comprometendo- -se a utilizarem todos os meios de contenção para não propagação do Covid-19”, argumenta.

Para reforçar a necessidade dessa retomada, o Sincomércio alega que entre março e abril, Mogi perdeu 4.372 postos de trabalho, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.


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