EDITORIAL

Mogi pode mais

A alguns quilômetros de São Paulo, Mogi das Cruzes faz parte de um roteiro ecológico e turístico ainda pouco explorado nas regiões agraciadas com territórios instaladas na Mata Atlântica, com potencial para crescer e ser melhor utilizado por visitantes e empreendedores. Mogi foi agraciada pela natureza. Mas não colhe dividendos por isso.

Com dois territórios importantes dessa ameaçada floresta ainda preservados nas proximidades da Região Metropolitana da capital paulista, a cidade pode se beneficiar do crescimento e fortalecimento do turismo ecológico registrado em todo o mundo. O homem está cada vez mais interessados em conhecer e desfrutar de destinos onde possa ver animais, plantas, rios e nascentes d’água em seu estado mais puro e praticamente intocado.

O fim de reservas naturais do planeta e a concentração populacional em megacidades saturadas pelos efeitos da conurbação contribuem para valorizar locais que podem se dar ao luxo de registrar situações impensáveis para quem vive na cidade grande. Exemplos, Mogi tem de sobra, como o aparecimento de um bugio solitário, desgarrado de seu bando, nas proximidades do antigo cemitério do Distrito de Taiaçupeba, registrado diariamente há algumas semanas pelos moradores do lugarejo.

A presença desse primata de porte médio e cara de poucos amigos na vizinhança da antiga Capela do Ribeirão reforça a singularidade do que Mogi pode oferecer a um turista que interessa a qualquer cidade por suas próprias características.

Observadores de pássaros e adeptos desse tipo de passeio fazem parte de um público de viajantes, normalmente focados em pautas como a sustentabilidade e a preservação ambiental. Ou seja, são pessoas que vão gerar menos lixo, agredir minimamente os locais por onde passam e ainda valorizar o destino com suas descobertas.

Esses turistas têm auxiliado ciência porque estão ajudando a catalogar e identificar as espécies raras fotografadas.

Ontem, em uma apresentação pública, o prefeito Marcus Melo destacou como um desafio para Mogi a ampliação da estrutura para o desenvolvimento do turismo ambiental, religioso e de aventura. E citou o exemplo de Portugal, que viu a economia melhorar nos últimos cinco anos graças ao turismo.

A localização privilegiada entre as serras do Mar e do Itapeti já abençoou Mogi das Cruzes. O senão dessa história é a demora do aprimoramento das políticas públicas de incentivo aos empreendimentos turísticos, que geram renda, emprego e impostos. Todas essas benesses são conhecidas há tempos pela gestão pública.