EDITORIAL

Mogi tem mais de 440 mil moradores e os mesmos cemitérios de sempre

Nem atualiza, nem moderniza

Desde 1979, quando foi construído o Velório Cristo Redentor, no Parque Monte Líbano, Mogi das Cruzes não consegue atualizar e nem modernizar a estrutura municipal para sepultamentos. É dever constitucional das cidades enterrar seus cidadãos. A única mudança foi a entrega de um acanhado velório em Braz Cubas.

Há 20 mil sepulturas nos cemitérios da Saudade e São Salvador. E ainda funcionam os antigos, mantidos nos distritos de Sabaúna e Taiaçupeba.

Mogi das Cruzes está crescendo sem cuidar da demanda social e emocional vivida por todos os seus moradores: a hora de enterrar os entes queridos.

Por volta de 2012, quando a falta de vagas forçou a Prefeitura Municipal a adotar medidas em vigor ainda agora como a manutenção provisória dos corpos por um determinado período no Cemitério da Saudade, a cidade possuía 380 mil habitantes. Naquele ano, emergencialmente foram feitas readequações internas, com a otimização dos espaços entre as calçadas e a ampliação dos nichos, que recebem os restos mortais em definitivo. Mogi tem mais de 440 mil moradores e os mesmos cemitérios de sempre.

Nas cidades, os sepultamentos são de responsabilidade da administração municipal – além dos municipais, na região, há dois cemitérios particulares, o Parque das Oliveiras, em Mogi, e o Memorial do Alto tietê, em Suzano.

Desde os anos 2000, os últimos quatro prefeitos, quando cobrados, lançaram mão do argumento ambiental, as dificuldades para os licenciamentos técnicos de um projeto de um novo cemitério, para postergar uma providência definitiva não tomada até hoje.

Na atual gestão, a coisa parece não ter mudado muito. Somente dois meses após a queda de uma boa parte do muro do Cemitério da Saudade, os reparos foram iniciados pela Prefeitura.

No legislativo, nesse período todo, o assunto até chega a ser tratado, quando a pressão popular anima um ou outro vereador, mas nada que deixe o plano de dicussões vazias e dos pedidos de informações para a Prefeitura sobre uma matéria que continua a mesma do início dos anos 2000.

Enquanto quem tem o poder de articulação não age para Mogi ganhar novos velórios, ou pelo menos, mais salas para os velórios, ou projetos da iniciativa privada, um crematório ou um cemitério vertical, a população segue passando por constrangimentos como os ocorridos há algumas semanas. Na hora de velar a mãe, o filho, o amigo, as pessoas estão sujeitas a horas de espera por uma sala nos velórios.

Uma nova Comissão Especial de Vereadores (CEV) promete respostas. Algo dificil de se acreditar porque uma CEV sobre o mesmo assunto foi criada em 2016. E tudo permanece como antes.

O Diário

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