EM FALTA

Mogiana é mordida por cão e não encontra soro antirrábico na cidade

CASO Edilaine Aparecida Alves Seok levou sete pontos na mão esquerda mordida por cão. (Foto: Eisner Soares)

Com sete pontos na mão esquerda após ser mordida por um cachorro sem raça, Edilaine Aparecida Alves Seok se sente decepcionada com a precariedade do atendimento a quem enfrenta uma situação parecida e reside em Mogi das Cruzes ou nas cidades da Região. “É uma decepção comprovar que tudo é feito à base da escassez, do susto, do descuido com o cidadão”, comenta.

Há algumas semanas, segundo ela foi informada, o Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, não possui o soro antirrábico, que deve ser aplicado até sete dias depois da mordida, ao mesmo tempo que o paciente recebe quatro doses da vacina, em um intervalo de um mês.

A história de Edilaine começou no sábado, quando ela encontrou um cachorro de porte pequeno em frente a um açougue. “Quando eu entrei, acariciei a cabeça dele, e ele não reagiu”, contou. Depois de conversar com os funcionários do estabelecimento, ela decidiu dar ao animal abandonado, um pedaço de salsicha, quando ele cravou os dentes em sua mão.

Passo seguinte foi a ida ao hospital para a limpeza do ferimento, o recebimento dos pontos e as orientações sobre a vacina contra a raiva, aplicada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Rodeio. No serviço, a primeira decepção. Segundo a informação, já por falta do medicamento, a dosagem da vacina foi reduzida de 3 para 2 miligramas (ml). “Antes, eram 4 ml, mas já por contenção dos estoques, isso foi reduzido”, comentou Edilaine, que possui três cães e 58 mil seguidores em uma rede social onde fala da causa animal.

Endereço seguinte foi o Hospital Luzia de Pinho Melo, referência para o recebimento do soro antirrábico. Lá, conta ela, “um médico me disse que o hospital não possui o soro há mais de um mês e que eu deveria procurar o Hospital Emílio Ribas, em São Paulo. Eu perguntei, mas como vou chegar lá, sem nenhum encaminhamento sobre o atendimento feito em Mogi? E ele disse que era apenas chegar até lá”.

Edilaine ligou antes de seguir para São Paulo e ficou sabendo que o produto também não está disponível no local e há uma fila de espera, sem previsão sobre quando o estoque será reabastecido.

Ela busca a prevenção pela falta de informação sobre o animal que a atacou. “Como é um animal de rua, como saber se ele está vacinado?”, questiona, lembrando outras situações que ganharam holofotes: o adiamento da vacinação contra a raiva animal em todo o país, por falta de vacina, e os registros de raiva em morcegos. Em Mogi das Cruzes, neste ano, foram encontrados dois animais com o vírus da doença.

“É um descuido com a saúde pública, e também uma falta de informação. No Luzia, por exemplo, poderia ser colocado um aviso sobre a falta do soro. Fiquei sabendo disso após três horas de espera pela consulta”, comenta.

Outro desajuste, lembrado por ela, é o fim do controle dos animais domésticos, cães e gatos, que perambulam pelos bairros. “Na região central, vemos poucos, mas nos bairros há muitos animais abandonados, que representam um risco para a saúde da população”, reclama.

Nesse vai e vem, Edilaine comentou que enfermeiros e atendentes afirmam que há muitos registros como o dela. “Na segunda-feira mesmo, um policial foi atacado e levou 20 pontos”. Ontem, ainda, ela constatou outro problema: a falta de vacina contra o tétano.