ROCK

Mogiano conta a história do heavy metal

METALEIRO Formado em História e pós-graduado em Política e Sociedade, Humbert Campitelli Junior decidiu reunir numa única lista as principais músicas do gênero, desde suas origens, na década de 60, aos dias atuais. (Foto: divulgação)
METALEIRO Formado em História e pós-graduado em Política e Sociedade, Humbert Campitelli Junior decidiu reunir numa única lista as principais músicas do gênero, desde suas origens, na década de 60, aos dias atuais. (Foto: divulgação)

Influenciado pelos pais, que ouviam artistas dos anos 60 como Raul Seixas, Johnny Rivers, Beatles e Elvis Presley, Humberto Campitelli Junior consome rock desde a infância. Hoje formado em História e pós-graduado em Política e Sociedade, o mogiano continua ouvindo o gênero musical, pelo qual é aficionado. A paixão é tanta que ele criou uma playlist no Spotify chamada ‘The Metal Anthology’ (‘A Antologia do Metal’), com 1.700 músicas.

A seleção de heavy metal foi lançada agora, em julho de 2020. Mas antes de falar dela é importante voltar 30 anos no tempo, direto para os anos 90. Naquela época a internet ainda era algo pouco comum, e para ouvir música era preciso de um vinil, CD ou uma fita cassete.

“Essas coisas sempre foram artigos caros”, se recorda o metaleiro, aos 39 anos. Para ouvir bandas como Led Zepellin, Black Sabbath, Iron Maiden e outras era preciso “dar um jeito de conseguir com os amigos”. “Às vezes pegávamos disco para gravar em cassete, depois emprestávamos… Também líamos revistas e víamos programas na TV, como na saudosa MTV, e nos reuníamos para ouvir com os amigos”, lembra ele.

Para o mogiano, a música representava, naquele tempo, a “relação humana”, já que por meio dela fazia várias amizades. Com esse pensamento, é natural questionar se ele nunca quis ter o próprio grupo. Surpresa: não apenas quis como teve um com o irmão, para tocar principalmente heavy metal, som pesado que hoje ele homenageia na playlist do Spotify.

“Tocávamos muito do que a gente gostava de ouvir e era interessante. Mas vai passando o tempo é desgastante manter projetos artísticos”, diz Humberto. O próximo passo seria a produção musical? Talvez o trabalho de crítico? Não. Ele se voltou para dentro de si e encontrou outra paixão: a História.

Apesar de respirar música, Humberto nunca ganhou a vida com ela. Sempre trabalhou com manutenção elétrica e geral e também no comércio, onde descobriu que gostava da comunicação com os clientes, percebendo ser mais ligado às ciências humanas do que às exatas. Por isso, decidiu cursar História, “algo necessário para entender os dias de hoje”.

Pouco antes de ser decretada a pandemia do novo coronavírus, o mogiano estava em negociação com algumas escolas, prestes a se tornar professor do Ensino Médio. A estratégia usada por ele seria ensinar a partir de uma relação horizontal, trocando vivências e experiências com os alunos. Mas infelizmente o projeto foi paralisado.

Sem uma ocupação fixa e com mais tempo livre, Humberto pausou as várias leituras que faz para se dedicar a uma ideia nova. Lembrando da empolgação que teve ao descobrir o som do Led Zepellin, do Guns N’ Roses ou da banda Anthrax, decidiu “montar uma coletânea”, como no passado.

“Não paro de ler nunca, mas decidi fazer isso para montar uma playlist com tudo que gosto e considero bom”, diz ele, que assim como nas entrevistas que deu aos sites especializados em música ‘Whiplash’ e ‘Tenho Mais Discos Que Amigos’, nega que a intenção fosse “contar a história do heavy metal”.

Mas um professor de história, mesmo que inconscientemente, tentaria fazer isso, não é? “É, acabou sendo, porque começo com o Black Sabbath, que é o pontapé inicial do estilo, e sigo até os dias atuais”, reconhece.

Para ouvir a playlist toda, que inclui nomes conhecidos como Ozzy Osbourne, Dio, Sepultura, Angra, Pantera e Helloween, e também nomes menos mainstream, como Kalmah, N.W.O.B.H.M. e Solitude Aeturnus, seriam necessários 125 horas. Ou seja, se alguém decidir dar o play sem apertar o stop, teria mais de cinco dias de metal ininterrupto.

Sugestão é ouvir as músicas aleatoriamente

Um mês foi o tempo que Humberto Campitelli Junior levou para organizar todo esse material. A princípio a lista segue a ordem cronológica do heavy metal, mas no meio do processo ele lembrou de certos nomes, e em alguns pontos a ordem não é tão correta, o que ele garante não ser um problema. “O interessante não é ouvir ela do começo ao fim, e sim aleatoriamente, pois aí sempre terá contato com um artista diferente do outro”.

‘The Metal Anthology’ não é definitiva, é claro. Como foi feita por uma pessoa, por um ser humano, existem ali certas preferências, como pelo já citado grupo Anthrax, formado em 1981, que é representado por mais canções que outros. Mas o trabalho é quase impecável no sentido de pesquisa musical, e seu próprio criador descobriu muita coisa enquanto o montava.

A lista foi feita de Humberto Campitelli Junior para ele próprio. “Se tivesse uns 10 seguidores achava que seria muito”, comenta ele sobre a lista que já passa dos 1.800 seguidores no Spotify, inclusive pessoas de outros países.

E engana-se quem pensa que o trabalho acabou. “Tenho mais bandas relacionadas para adicionar. Não dá para dizer que terminou…”, finaliza ele, que está ouvindo novos materiais para incluir e também tem outras playlists públicas, como uma com o rock dos anos 70 e outra com o rap dos anos 80.


Deixe seu comentário