DEPOIMENTO

Mogiano conta como foi enfrentar a Covid-19 em isolamento

CASO Nelson Pincelli Neto, 29 anos, que contraiu o coronavírus, faz apelo para que as pessoas fiquem em casa e adotem medidas de prevenção. (Foto: divulgação)

Nelson Pincelli Neto, 29 anos, é morador de Mogi das Cruzes e fisioterapeuta respiratório do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Nascido em Salesópolis, Nelson se formou em Fisioterapia na Universidade de Mogi das Cruzes e concluiu o curso de Fisioterapia Respiratória na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Como tantos outros profissionais da área de Saúde, ele foi uma das vítimas do novo coronavírus e teve de ser internado no Hospital Villa-Lobos, na Capital, onde enfrentou dias difíceis por conta dos sintomas mais agudos da doença que afeta, principalmente, os pulmões, tornando a respiração cada vez mais difícil.

Após vencer a fase mais aguda da Covid-19 – no último sábado, ele deixou a UTI do Villa-Lobos – Nelson faz um relato emocionante das dificuldades que enfrentou ao longo dos últimos dias e aconselha: “Lavem as mãos e fiquem em casa!”

“Como muitos devem estar sabendo, fui infectado pelo vírus que causa a Covid-19. Durante quatro dias tive sintomas leves como coriza, tosse, febre (que não passava de 38°).

Até que no sábado, dia 28, conversando com minha esposa, percebi que aquilo, definitivamente, não era uma “gripezinha”, largamos tudo e fomos até o hospital. Sou fisioterapeuta respiratório, trabalho em uma UTI. Tinha quase certeza de que estava com o famoso coronavírus, mas não sabia e nem imaginava o seu poder devastador em meus pulmões. No mesmo dia fui internado e estava esperançoso, porém o isolamento e a falta da minha esposa e familiares me abalaram muito.

O isolamento é dolorido demais. Já no domingo vi aumentar o desconforto respiratório. É muito sufocante! Na segunda de manhã me encaminharam para a UTI e lá tomei uma dose de Relquinol (hidroxicloroquina), acreditei mesmo que seria rápida a recuperação com esta medicação. Porém, no dia seguinte, tive mais desconforto respiratório e picos de febre que ultrapassavam os 38,5°. Senti falta de apetite, tristeza… Por favor, valorizem suas famílias, seus amigos, faz falta demais um ombro amigo!

Nos momentos mais difíceis, tive o apoio e carinho de toda equipe do Hospital Villa-Lobos. Eles me ajudaram demais, são verdadeiros heróis.

Me deram banho, me ajudaram com minhas necessidades mais básicas e mesmo quando me vinha o mais tenebroso temor (ser entubado), eles buscaram me acalmar. É reconfortante passar por tudo isso com eles. Somente na quarta vi a melhora acontecer, mas, como já disse, essa doença não pode ser menosprezada.

À tarde tive bacteremia. Que sensação horrível: febre, tremores, taquicardia, aumento no trabalho respiratório (que ainda está muito prejudicado). Após hidratação e medicações melhorei e somente hoje estou me sentindo um pouco mais forte e vendo melhoras clínicas significantes.

A falta de ar persiste, mas está melhor, o desconforto melhorou. Já consegui rir e estou falando com mais facilidade. Estou até sentindo fome (risos). Só quem insiste em ficar é a tosse, que não passa.

Quando ela vem, chega junto o desconforto respiratório, mas já me recupero com muito mais facilidade.

Por isso, peço a todos que tiveram paciência de ler até aqui: Fiquem em casa!!! Não se exponham a esse vírus mortal. Só saiam pras ruas se for altamente necessário. E, se saírem, por favor, pelos profissionais da Saúde, por você, pelas suas famílias, tomem todos os cuidados possíveis. Usem máscaras, álcool em gel, fiquem ao menos a dois metros de distância de qualquer outra pessoa, sempre que possível.

Eu não desejo que ninguém passe pelo o que eu passei. E sei que, felizmente, não estou em grupos de risco. Mesmo não tendo um histórico de atleta, sou saudável e isso me ajudou demais nessa batalha. Não se esqueçam: lavem as mãos e fiquem em casa!”


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