MÚSICA

Mogiano DJ Nandes remodela os sambas-rock e jazz

MÚSICA BRASILEIRA DJ Nandes emprega ao samba influências do rap e de outros estilos, deixando o deixar o gênero homenageado acessível aos mais jovens. (Foto: divulgação)
MÚSICA BRASILEIRA DJ Nandes emprega ao samba influências do rap e de outros estilos, deixando o deixar o gênero homenageado acessível aos mais jovens. (Foto: Divulgação – Eder Veiga)

Gilberto Gil, Tom Zé, Jorge Ben, Jair Rodrigues, João Bosco e Clara Nunes são, sem dúvida, grandes nomes da música brasileira, mas suas canções não conversam tão bem com as gerações mais novas. Isso muda em ‘Samba Alterado’, setmix lançado pelo DJ Nandes Castro, mogiano que apresenta samba, samba-rock e samba-jazz revisto a partir de uma ótica moderna e atualizada, com influências do rap e da música eletrônica.

Disponível ao público no site MixCloud, a seleção é fruto de uma parceria com o Grow, bar e casa noturna localizada no Centro da cidade. Enquanto Nandes fez a discotecagem, a outra parte tem ajudado na divulgação. A ação é uma espécie de retorno do trabalho que vinha acontecendo presencialmente, já que o DJ costumava, antes da pandemia, se apresentar por lá, com as “brasilidades” da música.

“Esta é uma maneira de se manter ‘vivo’”, diz o criador, que faz transições leves e suaves entre canções como ‘Ela’, de Gilberto Gil, e ‘Namorado da Viúva’, de Jorge Bem’; ‘Água Marinha’, de Bebeto, e ‘Saga do Negro’, de Jair Rodrigues; ‘Morena de Angola’, de Clara Nunes, e ‘Cobra Criada’, de João Bosco.

Há ainda outras particularidades de ‘Samba Alterado’ que merecem destaque. Exemplos são as falas que “costuram” as músicas, como uma de Tom Zé, e outra de Ivan ‘Mamão’ Conti. Estes momentos são possíveis pelo formato de produção imposto pelo novo coronavírus, ou seja, o meio digital.

“Esse setmix foi pensado para se ouvir em casa, então cabem focos de atenção que não são exatamente rítmicos ou musicais”, explica Nandes, que selecionou trechos que dialogam sobre a importância da figura do DJ e também da própria ideia de uma playlist como esta.

Parte dos áudios foi extraída de um disco do produtor BK One, estrangeiro que se dedica a “samplear” a música brasileira. A expressão vem de “sample”, termo em inglês para definir a reutilização de uma parte de uma gravação de som em outra gravação. Para resumir, BK One faz raps em que coloca grandes nomes do gênero para rimar em cima de melodias nossas, verde e amarelas.

‘Samba Alterado’ tem ainda uma versão em coro de ‘Eu Quero é Botar meu Bloco na Rua’, de Sergio Sampaio, uma releitura do Jongo Trio para ‘Feitinha pro Poeta’ e outras surpresas. O repertório não é aleatório, como pode parecer ao ouvinte mais desatento. Na verdade, inclui muita técnica, fruto de uma “pesquisa profunda” feita por Nandes, que gravou o projeto em vinil, de “forma orgânica e pura”.

“Trabalho com propagação e discotecagem de música brasileira há alguns anos. Existe aqui muito valor, que muitas vezes as pessoas nem conhecem, principalmente em canções antigas”, explica ele, e continua: “há uma tendência mundial dos Estados Unidos dominarem toda a indústria fonográfica, e de lá vem realmente muita coisa boa. Mas também temos isso por aqui, só que ignoramos ou somos levados a ignorar”.

Nesse sentido, o trabalho tem certa semelhança com a palavra “evangelizar”, descrita no dicionário como o ato de “pregar ou ensinar pela palavra qualquer doutrina ou ideia”. O que muda é que Nandes não faz isso somente com palavras, mas também com músicas, fazendo emergir, mais uma vez, letras “antigas, de muita qualidade, e que não foram valorizadas, talvez nem em sua própria época de lançamento”.

Os sambas escolhidos pelo DJ ganham, portanto, novas linguagens, novas roupagens. Muito vem do hip hop, que é “a escola” do autor do projeto. E é aí que se estabelece uma conexão com os mais jovens, já que o gênero “é um, se não o principal tipo de música comercial hoje”.

É claro que isso não é garantia de audiência, até mesmo pelo o que Nandes define como sendo a “disputa pelo espaço no ouvido” das pessoas. “Tem muita gente querendo mostrar o próprio trabalho e se tem cada vez menos tempo pra ouvir”, diz, embora diga que os números de “plays” têm sido satisfatórios desde o lançamento, na última sexta-feira, dia 29 de maio.

Com isso, Nandes confirma que o público pode esperar o “volume 2” e até o “volume 3” de ‘Samba Alterado’, explorando outras ramificações do gênero. Antes disso, porém, quer fazer outros setmixes, como um de funk brasileiro, mas funk clássico, representado por Gerson King Combo e Tony Tornado, entre outros nomes. Também devem vir playlists de rap antigo e muito mais. Ou seja, vale ficar ligado nas redes sociais do cara.

Sesc inscreve projetos culturais até domingo

O Sesc já recebe projetos culturais de artistas de todo o território nacional a serem transmitidos digitalmente pelos canais da instituição. Trata-se do projeto intitulado Sesc Cultura ConVida!, uma iniciativa pensada e criada diante do impacto causado pelo fechamento de equipamentos culturais por causa da pandemia da Covid-19.

A meta é incentivar a produção artística em todas as vertentes e levar as apresentações para dentro das casas da plateia.

Artistas de todo o país podem inscrever seus trabalhos por meio do site www.sesc.com.br/convida até domingo, dia 7. Serão contemplados até 470 projetos de música, artes cênicas, artes visuais, audiovisual, literatura, infantis e patrimônio cultural, com investimento previsto de R$ 587.500,00. Com foco em trabalhos não divulgados nos grandes meios de comunicação, o projeto inclui ainda oficinas, debates e podcasts com profissionais que integrem o sistema produtivo da cultura.

“O Sesc Cultura ConVIDA! é a manutenção do trabalho de fomento, difusão e incentivo à produção artística nacional, que o Sesc promove ao longo de mais de sete décadas. Com esta iniciativa pretendemos não só valorizar o trabalho dos artistas de todas as regiões e movimentar a economia criativa, como também contribuir para a qualidade de vida e bem-estar do público neste cenário de isolamento social”, disse a diretora de Programas Sociais do Departamento Nacional do Sesc, Lucia Prado.

Cada proponente poderá realizar apenas uma inscrição e as propostas apresentadas deverão respeitar as medidas de isolamento social que estejam em vigor no momento da sua execução. As comissões de cada segmento são compostas por profissionais de Cultura do Sesc que atuam no planejamento e desenvolvimento da programação cultural da instituição.


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