Mogianos mostram o que esperam do novo governo

As expectativas de moradores de Mogi das Cruzes sobre um eventual governo Michel Temer (PMDB) são comedidas ainda. Eles falam que a prioridade do advogado, que assume a Presidência da República no lugar de Dilma Rousseff (PT), afastada pelo Senado por 180 dias como parte do processo de impeachment, é recuperar a economia, de forma a trazer estabilidade no mercado de trabalho.Até o fechamento desta edição, a votação no Senado não estava concluída, mas os senadores definiam a saída da petista do poder. Ela é acusada de cometer “pedaladas fiscais” por meio de suplementações orçamentárias às custas de bancos estatais. O processo já havia passado com grande facilidade pela Câmara dos Deputados, com 367 votos a favor e 167 contra. Para a aprovação no Senado é preciso maioria simples dos 81 senadores.

Há muitas divergências em relação à legalidade ou não do processo entre as pessoas ouvidas por O Diário, ontem de manhã, pela região central da Cidade. “Eu não acredito em mudança alguma. A verdade é que o que houve no governo do PT foi apuração de casos de corrupção. A corrupção já existia em outros governos, mas nunca era investigada. Nesses anos, ela foi. Acho que com Temer, voltaremos ao mesmo patamar de antes, de estagnação no processo de apuração criminal na política. Em relação às prioridades, seja ele ou fosse outro governante, a economia é a prioridade, além de olhar para os aposentados porque nós somos os mais prejudicados pela inflação elevada”, disse Expedito Canuto, de 75 anos, aposentado.

Roberto Lima, 76, também aposentado, não concorda com o novo governo. “Se eu compro um quilo de carne e percebo que ela não está boa, o problema é meu porque eu fiz uma escolha errada. Eu assumo a minha responsabilidade. O mais acertado não era este governo Temer, mas novas eleições. Até porque as bandeiras que precisam ter atenção não aparentam ser prioridades do vice-presidente. Além de olhar a parte econômica, é necessário discutir e reformular esta conjuntura política”, afirmou.

Antonio Castrezana, 76, espera que as coisas melhorem, sobretudo, no aspecto social e no atendimento aos mais velhos. “Quando eles querem, eles melhoram da água para o vinho. Espero que seja assim para nós também. Os reajustes estão abaixo da inflação. É um esforço comprar algo nos dias atuais”, alegou.

Marcela Barros, 17, estudante, diz que espera por abertura de oportunidades de emprego. “É desesperador olhar o cenário atual e não encontrar oportunidades para a gente que sai da escola e quer ingressar no mercado porque a economia está ruim. A educação também precisa de atenção. Ela é retrato do que pode ser o País no futuro”, comentou.

Hyro Cardoso, comerciante que não quis divulgar a idade, aposta em credibilidade econômica. “Sem isso o País não volta a crescer. Essa é, sem dúvida, a principal ação do governo. Na sequência, a saúde precisa ser priorizada também. Tem hospital que está abandonado. Às vezes, a gente vê na TV cenas de gente morrendo em fila e a demora no atendimento. Tem muito o que melhorar, não dá mais para esperar”, opinou.

Jorge Yura, 64, proprietário de uma loja de roupas, viu suas vendas caírem 40% nos últimos tempos. Ele destaca a necessidade de um ânimo novo no Brasil. “Com uma nova conjuntura política, há um ânimo novo no País. O governo Dilma está muito desgastado. O principal desafio é a retomada do crescimento. Eu tenho comércio há 32 anos. Vivemos períodos difíceis como o da hiperinflação e a tomada da poupança na era Collor, mas este é o pior período porque não temos expectativa de melhora num curto espaço de tempo”, concluiu. (Lucas Meloni)

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