EDITORIAL

Momento bem-vindo

Na reabertura dos parques, 400 pessoas reencontraram o Centenário, segundo a Prefeitura Municipal. Ali, o teto máximo permitido pela flexibilização do convívio social será de 800 frequentadores. Logo na estreia, esse número expressivo não é acaso.

Quatro meses depois do isolamento social – cumprido à risca, é verdade, por uma parcela da população, a possibilidade de se retomar a rotina é tentadora. Um período tão longo de privação da liberdade de ir e vir – ainda que por um motivo necessário e justo – é demais para a maioria dos seres humanos.

Estudos com resultados que começam a ser publicados mostram que os impactos da pandemia são diferentes entre as pessoas porque levam em conta fatores como a idade, escolaridade, classe social, condição de saúde, especialmente a mental. Crianças e jovens sofrem muito com o isolamento porque interrompem o ciclo de desenvolvimento, aprendizagem e de acúmulo de experiências. Idosos também foram duramente afetados pela pandemia que os colocou no centro das preocupações – a maior parte dos óbitos são de pacientes mais velhos.

Ainda em quarentena e com números inseguros sobre o total de infectados e de mortes pelo Covid-19, a abertura gradual dos espaços públicos deve ser acompanhada com cautela e parcimônia.

Em Mogi das Cruzes, por exemplo, os testes alcançaram uma pequena parcela das pessoas, que apresentaram os sintomas da doença. Há mais mistérios do que certezas sobre a situação epidemiológica da Covid-19.

Apesar de tudo isso, a reabertura dos parques marca uma fase bem-vinda do Plano São Paulo. Uma pesquisa feita pela Scielo, por meio da plataforma Google Farm, com brasileiros, mostrou que a maioria considerou o impedimento da convivência social pior do que os problemas econômicos.

O símbolo de um parque aberto é grandioso e as autoridades devem estar seguras desse passo porque ele significa o mesmo que dizer: o pior começou a passar.

À Prefeitura, fica a responsabilidade de ordenar o uso dos parques. Na entrada, a temperatura das pessoas está sendo medida. Um ato simples, mas de grande importância, inclusive, porque permite ao público entender a importância de estar com a saúde em dia para ter acesso a esse e a outros pontos destinados ao lazer, esporte e integração do cidadão à natureza.


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