ESPETÁCULO

Monólogo em Mogi das Cruzes reflete sobre a vida e a arte

Profunda, provocativa, dramática, densa e misteriosa. Assim é a trama de ‘Paisagem com Carruagem e Trem’, monólogo de estreia do Coletivo Náusea, formado por mogianos e paulistanos. Com uma única personagem sem sexo definido, a peça que mostra uma ótica solitária sobre o mundo já pôde ser vista pelos mogianos em maio e junho e hoje será encenada novamente, às 20 horas, no Teatro Vasques.

Mesmo que não possa ser definida como homem ou mulher, a única pessoa em cena é chamada de ‘Ele’ e interpretada por William Zimolo. Num cenário escuro que simula de um quarto sombrio, Ele revela sua intimidade e conexão psicológia com quadros do pintor holandês Vincent Van Gogh.

Aliás, o monólogo sugere conversas com o artista, e a partir disso surge uma visão solitária porém com toques de humor sobre o mundo, como fosse o caráter trágico de uma pessoa comum que está acuada perante as mais diversas situações apresentadas pela vida.

Não só parece como realmente é confuso de entender num primeiro momento. Mas tudo se torna mais palpável ao espectador a partir de molduras, tecidos e músicas instrumentais originais feitas especialmente pela produção, que também preparou projeções “surpresa” no palco, para “envolver e emocionar” a todos.

Na ocasião das primeiras exibições do espetáculo no Centro Cultural e Teatro Vasques, a produtora Renata Alencar revelou a O Diário a vontade da companhia em ganhar os palcos de outras cidades. E o desejo se concretizou: a partir da visibilidade adquirida em Mogi, a trupe alçou voo.

“Na semana passada estivemos em Osasco e hoje (ontem) vamos nos apresentar em São José dos Campos. O feedback do público tem sido bacana e nos permite amadurecer a montagem, modificando detalhes como a iluminação, por exemplo”, conta ela.

Como o texto não apresenta um final fechado e único, o interessante, segundo Renata, é que cada uma das pessoas que assiste “tem uma percepção e vai para um lado diferente”. “É muito interpretativo e aberto, depende do momento em que cada espectador está vivendo. Isso nos deixa ansiosos para o retorno em Mogi, e pretendemos continuar com este trabalho em outros locais também”.

Inspirado pelo sucesso deste enredo misterioso, o Coletivo Náusea já prepara outros projetos, sendo mais um texto original (‘Da Incoerência de Viver Pacificamente’) e uma adaptação, ambas dirigidas pelo mogiano Jhonatan Faria, um dos responsáveis por ‘Paisagem com Carruagem e Trem’.

Os ingressos para a exibição de hoje podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro Vasques, na Rua Dr. Corrêa, 515, com uma hora de antecedência, por R$ 6,00 (meia-entrada) ou R$ 12,00 (inteira). Outras informações sobre a peça estão disponíveis em facebook.com/coletivonausea/ ou pelo telefone 9.9565.4773.