EDITORIAL

Moradia, um drama

Há de se buscar respostas mais ágeis para reduzir a espera pela casa própria vivida por uma parcela considerável da população de Mogi das Cruzes.

Desde 2016, os apartamentos dos condominios residenciais Tietê e Maitaca, no complexo de conjuntos populares do programa Minha Casa, Minha Vida, no Jardim Oropó, estão prontos. Só não puderam ser ocupados por uma falha que desmoraliza o poder público: os apartamentos foram construídos, mas faltou o básico, a rede de esgotos, exigida para a liberação das unidades.

Aliás, sobre isso, cabe perguntar: ninguém será responsabilizado pelos prejuízos provocados por essa falha no projeto executivo dessas moradias?

Enquanto dois residenciais prontinhos esperam pelos seus moradores, o déficit habitacional penaliza famílias como a do aposentado Jerônimo Reis de Oliveira, de 69 anos. Morador de Jundiapeba, ele procurou o jornal para expor a situação vivida por milhares de famílias brasileiras: a espera pela casa própria.

A crise econômica, o desemprego, as dificuldades de acesso ao financiamento popular e a interrupção do ciclo de construções de moradia aprofundaram o drama habitacional brasileiro entre o ano passado e este. Mas, o déficit é bem mais antigo.

Em Mogi das Cruzes, ninguém pode afirmar com certeza qual é esse déficit porque o último cadastro para a casa própria foi realizado em 2009. Uma década atrás. Nesse período foram entregues mais de 4 mil unidades, um recorde, sem dúvida.

A demanda, porém, continuou crescendo nesse período estabelecendo uma situação preocupante diante da falta de perspectivas sobre quando e como a cidade irá assistir as pessoas de baixa e baíxissima renda.

É preciso ouvir o apelo do senhor Jerônimo, que chega aos 69 anos sem um teto próprio.

Com as perspectivas atuais, as novas gerações de jovens e adultos poderão esperar ainda mais pela moradia digna.

Evidente que o combate ao déficit habitacional está sob a tutela do governo federal. Mas essa demora na liberação dos 520 apartamentos construídos desde 2016 na Avenida kaoru Hiramatsu, no Jardim Oropó, pede resposta da administração municipal. É um descuido, para dizer o mínimo.

Essas unidades vão atender prioritariamente os mogianos que mais precisam de uma nova moradia, como os que residem em áreas de risco ou insalubres, além de dependentes exclusivos de mulheres ou com deficiência. Gente que poderia estar vivendo melhor há pelo menos dois anos e meio.