EDITORIAL

Motivo de orgulho

Pelo terceiro ano, a Orquestra e a Banda Sinfônica de Mogi das Cruzes levam o nome da cidade ao maior festival de música instrumental da América Latina e o principal evento música clássica no Brasil. Os músicos mogianos e artistas convidados vão se apresentar na tarde deste domingo, no Festival de Inverno de Campos de Jordão, uma das grandes vitrines da música brasileira.

Os dois grupos nasceram do projeto Pequenos Músicos…Primeiros Acordes na Escola criado em 2011, na esteira de um programa público de ensino e estímulo à música bem mais antigo e marcado principalmente pelo aprendizado do canto de coral na rede municipal de Educação.

Músicos e maestros foram formados nessas iniciativas oficiais que estão dando certo, envolvendo crianças, jovens e seus familiares, descobrindo talentos que passaram a circular por grandiosos espaços, como a Sala São Paulo, na Capital, o próprio Festival de Campos de Jordão, além de outros, e formando, com sucesso, um público local de música clássica e instrumental que passou a acompanhar as duas sinfônicas.

Acompanhar a trajetória da Orquestra e da Banda Sinfônica é um motivo de orgulho pela projeção do nome de Mogi das Cruzes e, sobretudo pelo conjunto dos resultados obtidos pelo ensino e o estímulo à música na vida de crianças e jovens. Muitos jovens trocam a vida do “nem estuda, nem trabalha” pela música.

Muitos desses músicos dificilmente teriam acesso aos instrumentos e maestros sem a ponte construída pela escola pública. Menos hoje do que no passado, mais ainda assim uma realidade, a música instrumental é um produto cultural mais alinhado à elite. Embora talento, vocação e disciplinária para o aprendizado independam da classe social, gênero ou raça.

Esse resultado social se deve ainda ao entendimento dos últimos prefeitos mogianos que deram continuidade ao projeto inicial voltado à música, mesmo com a alternância dos valores financeiros destinados a esse objetivo em uma e outra gestão.

O Projeto Pequenos Cantores tem méritos números porque alcança cerca de 11 mil estudantes que participam de aulas em bandas escolares ou de nível avançado, segundo a Prefeitura.

Há muitos benefícios individuais destacados nas justificativas da inclusão da música na sala de aula, como desenvolvimento cognitivo e linguístico, psicomotor e sócio-afetivo.

Além de benesses coletivas potentes e imensuráveis nesse projeto como a cultura da paz, da liberdade e do entrosamento de expressões e diferenças, a ainda o viés profissional para muitos que vão tornar a música como trabalho.