CRIMINALIDADE

Motorista vira refém na Rodovia Ayrton Senna

Polícia diz que marginais jogam pregos com arame na rodovia. (Foto: Arquivo)
Vítima foi feita refém na rodovia. (Foto: Arquivo)

“Na hora a gente só pensa na família e chama por Deus, não se sabe o que vai acontecer”, disse, na tarde de ontem, a O Diário o motorista José Araújo da Silva, de 59 anos, casado e morador em Itaim Paulista, na Zona Leste de São Paulo. Ele foi dominado por três bandidos, por volta das 19h30, desta segunda-feira, na Rodovia Ayrton Senna, em Guarulhos, sendo levado para um cativeiro, onde ficou até a madrugada de ontem, “Fui solto na mesma Ayrton Senna, mandaram eu pular a grade de proteção e correr. Obedeci, peguei uma estrada, encontrei uma empresa e chamei a Polícia”. A Ayrton Senna já foi palco de diversos ataques de marginais que abordam motoristas de caminhões, veículos e de motocicletas. Ao trafegarem pela via os condutores precisam ficar em alerta durante o percurso.

Na tarde de ontem, José Araújo voltou ao Distrito Central para pegar uma cópia do Boletim de Ocorrência que registrou sobre o assalto. O crime vai ser investigado pela Polícia Civil de Guarulhos, porém de acordo com o caminhoneiro “vou dar entrada do seguro para recuperar o valor do meu Fiat Ducato que usava para fazer entrega de encomendas dos Correios, na Vila Maria, na zona norte de São Paulo”.

Além do veículo, os três bandidos roubaram R$ 42,00, celular e documentos. “Eu sai de Guarulhos, passei pelo viaduto e já na Ayrton Senna no caminho de casa os três assaltantes, apontaram armas e me mandaram parar”, lamentou José Araújo.

A ordem dada pelo trio é a de sempre usada por criminosos. Ele foi obrigado a entrar na parte traseira de um veículo, ficar com a cabeça abaixada e permanecer em silêncio.

“No cativeiro, recebi chutes nas pernas e um deles (marginais) até me deu coxinhas, mas não comi. O lugar é pequeno e sujo, não havia ninguém no cômodo”.

O motorista José Araújo afirmou que “não deixei de pensar em minha família”. Narrou que já foi assaltado três vezes, mas naquela época diz que trabalhava para empresas. “Agora, o Ducato era meu, o usava para sustentar a minha família”.

Dizendo que a situação sobre violência no Brasil está difícil, José Araújo afirma que “isso (assalto) não tem jeito e deixa a gente abalado”. Apesar de tudo, ressalta que “a nossa vida tem que seguir, não podemos desistir nunca”.