Motos focam nos modelos de luxo

Salão Duas Rodas 2015 mostra que os fabricantes apostam nas versões premium nesses tempos de recessão

O dólar está em alta. E o mercado de motocicletas Premium também. Mesmo em um ano nefasto como o de 2015, os segmentos mais luxuosos conseguiram se manter acima da linha d’água, com vendas similares às do ano passado. As coisas podem até mudar face à crise cambial, mas o porto seguro ainda está nos modelos da ponta do iceberg. E foi aí que os fabricantes fizeram suas maiores apostas durante o Salão Duas Rodas 2015, realizado semana passada no Centro de Convenções do Anhembi, em São Paulo.

Nessa lógica, a Triumph apresentou sua campeã de vendas Tiger 800 na versão mais cara e completa, a Xca, que traz uma série de itens visuais e de conforto, como manopla e assentos aquecidos, faróis de neblina em LED, encaixe para celular ou GPS, três tomadas 12V e detalhes em alumínio. O modelo recém-iniciou a produção em Manaus e vai custar R$ 51.500.

A BMW também trouxe a quarta versão de sua esportiva S1000, que tem motor de quatro cilindros em linha, seis marchas e 160 cv de potência e 11,4 kgfm de torque. Trata-se da S1000 XR, que mistura conceitos de esportiva, bigtrail e turismo e chega por R$ 68.900. A BMW apresentou também, em première mundial, a Concept Stunt G 310. A moto-conceito foi desenvolvida com a ajuda do tetracampeão mundial de wheelie Chris Pfeiffer e é um ensaio da marca alemã para a criação de um modelo entre 300 e 500 cc, inédito na história da fabricante.

Já a italiana Ducati anunciou o início das vendas da Scrambler, por R$ 36.900. O modelo de design retrô tem quatro versões básicas e muitos acessórios para personalização. Por enquanto, apenas a Icon está à venda, por R$ 36.900. A Scrambler traz um motor de 803 cc com dois cilindros em L e comando de válvulas desmodrômico, que rende 75 cv. A Ducati apresentou também a nova Multiestrada 1.200, com um motor Testastreta com sistema de válvulas variáveis, com 160 cv.

Marcas que trabalham com motos pequenas, como a Dafra e a Traxx, fizeram investimentos modestos para o Salão. A Dafra não representa mais a marca MV Agusta, que passa a ter escritório próprio no Brasil. Por isso, voltou suas atenções para a associada KTM, cujos modelos Duke 200 e 390 já saem de suas linhas em Manaus. Enquanto isso, mantém a aposta na parceria com a taiwanesa SYM, através da scooter Fiddle III. O modelo chega em fevereiro de 2016 e investe no charme do design retrô com pintura bicolor, lanterna em LED e detalhes como porta-luvas com chave, entrada USB, espaço sob o banco para capacete e freios combinados. O motor de 125 cc rende 10,3 cv. A custom Horizon ganha também uma versão com motor de 150 cc de 12,8 cv. Ela chega no final de outubro ao mercado ao preço de R$ 7.990.

A chinesa Traxx já havia lançado em meados deste ano a sua nova família Fly e SST, de 150 e 250 cc. Sobrou pouco para o Salão Duas Rodas. O único modelo com alguma novidade foi a cub Sky 125 Plus. A moto recebeu ligeiras mudanças no visual e novo painel. O motor tem 8,8 cv e trabalha com um câmbio rotativo semiautomático de quatro marchas.

Depois de muitos anos absoluta no mercado de custom, a Harley-Davidson finalmente se deparou com sua rival histórica. A Indian desembarca no Brasil também disputando os bolsos mais privilegiados do país, com produção em Manaus de seus modelos mais representativos. São eles a Chief Classic e Chief Vintage, com preços de R$ 79.990 e R$ 89.990, que chegam às quatro concessionárias da marca em novembro. Assim como a Scout, que é o modelo de entrada da marca e sai por R$ 49.990. Em 2016 chegam mais dois modelos: Chieftain, que deve ter preço semelhante ao da Vintage, e a Roadmaster, que é a mais cara da linha Indian. A previsão da marca é vender 800 motocicletas em 2016, sendo 400 delas da Scout.

A Harley, no entanto, acredita que seus seguidores serão fiéis. Tanto que anunciou um aumento médio de 25% nos preços de seus modelos para compensar sua balança de pagamentos. Segundo a fabricante, 90% de seus custos são em dólar, mesmo para modelos feitos em Manaus. A marca norte-americana apresentou a Iron 883 e a Forty Eight, da linha Sportster, com suspensão refeita e visual novo.

Até por antiguidade no mercado, Honda e Yamaha se sentiram em casa e apresentaram várias novidades. A maior rival da Honda no Brasil e no mundo continua investindo em trazer produtos mais sofisticados. Neste ano, que marca os 60 anos da divisão de motocicletas da empresa, diversos modelos Yamaha vão receber uma pintura tradicional em amarelo e preto. É o caso da nova R1, superesportiva ícone da marca japonesa, que chega em nova geração com o clássico motor crossplane de 1.000 cc e 200 cv de potência. A Yamaha trouxe ainda a versão Tracer, carenada, da MT-09, que vai custar R$ 45.990. Outro modelo importante para a marca é a Factor 150. Ela vai custar R$ 7.390. Caso receba freio a disco dianteiro e rodas de liga leve, o valor sobre para R$ 7.990.

Já a Honda mostrou que vai estender sua área de atuação no mercado. Para começar, vai voltar a investir nas maxitrails, depois da fraca experiência com a Varadero. Agora anunciou a fabricação em Manaus, a partir de março de 2016, da lendária African Twin, uma moto ágil, robusta e de bom porte. A segunda aposta é em modelos scooter de média cilindrada, com a SH 300i. Já se considera que se a Honda investir nas scooters, como parece ser a intenção, em cinco anos o mercado deve passar dos atuais 3,7% das vendas para perto de 15%. A marca japonesa ainda apresentou as novas CB 250 Twister e PCX 150.

A Yamaha trouxe a nova geração da superesportiva R1 e a versão carenada da MT-09, a Tracer. Já a Honda mostrou que quer continuar hegemônica no mercado brasileiro e mirou vários alvos. Apresentou a nova CB 250 Twister e renovou a PCX. E ainda decidiu voltar a investir no segmento das maxitrails com a carismática CRF 1000 African Twin e continua sua trajetória de formar um mercado para scooter maiores e melhores com a SH 300i. As duas serão produzidas em Manaus. (Eduardo Rocha/AutoPress)


Deixe seu comentário