MANIFESTAÇÃO

Movimento mantêm protesto contra pedágio na rodovia Mogi-Dutra neste sábado

MOVIMENTO Grupo contra cobrança de pedágio na rodovia Mogi-Dutra promete nova manifestação hoje. (Foto: arquivo)
MOVIMENTO Grupo contra cobrança de pedágio na rodovia Mogi-Dutra promete nova manifestação hoje. (Foto: arquivo)

O Movimento Pedágio Não pretende continuar mobilizado na luta contra qualquer possibilidade de a Artesp instalar um pedágio em Mogi das Cruzes. O anúncio feito pelo órgão, em nota encaminhada anteontem exclusivamente a O Diário para informar que desistiu de construir a praça de cobrança de tarifa no km 45 da Mogi-Dutra, foi ignorada pelos organizadores que decidiram manter o protesto agendado para hoje na via. Entidades de diversos segmentos e lideranças políticas também afirmam que apenas irão considerar a luta ganha após o Estado declarar oficialmente que não vai cobrar essa conta dos mogianos.

A manifestação programada para este sábado, das 10 às 13 horas, na região do Jardim Aracy, no acesso à Mogi-Dutra, promete ser a maior de todas já realizadas até agora na cidade. Desta vez, além dos motoristas, o movimento contará com a participação de caminhoneiros, ciclistas, moradores e representantes de entidades de toda a região. Ficou combinado que o local de partida dos moradores dos bairros próximos à Serra do Itapeti será nas imediações do condomínio Aruã (Estrada Joel Hermenegildo Barbieri), saindo em carreata por volta das 9 horas em direção ao ponto de encontro geral. Ao mesmo tempo, um grupo de ciclistas partirá da Estação Ferroviária Mogi também em direção ao local onde haverá um carro de som para as manifestações.

O integrante do Movimento ‘Pedágio Não’, Paulo Boccuzzi, disse que a expectativa é superar o número de participantes do primeiro protesto e reunir muito mais que 400 veículos. Mesmo assim, disse que não existe a intenção de fechar a estrada, mas acredita que a carreata vai causar problemas de lentidão no tráfego de veículos.

Boccuzzi considera o fato de a Artesp ter decidido mudar o local do pedágio “uma vitória” do movimento, que desde que a agência realizou a audiência pública, em outubro de 2019, para apresentar o plano de concessão das rodovias litorâneas incluindo a instalação do pedágio, iniciou os protestos, fez reuniões, abaixo-assinado, além de ter pressionado os políticos da cidade e região contra essa proposta.

Porém, Boccuzzi disse que esse “avanço” nas negociações com a Artesp “não vai desmobilizar o movimento”, que continuará enquanto a agência não desistir de colocar um pedágio dentro dos limites do município, já que até agora o orgão não informou qual seria o novo local onde quer construir a praça de tarifas.

Ele disse também que continua buscando apoio, tanto que se reuniu na quinta-feira com o deputado estadual Marcos Damásio (PL) para tentar fazer uma ponte e pedir uma agendar para falar diretamente com o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM). A intenção é apresentar abaixo-assinado que já conta com mais de 43 mil adesões – 10 mil no físico e 33 mil no online.

CEV A Artesp anunciou a mudança do local indicado inicialmente para construção do pedágio – km 45 da SP98 – um dia depois das críticas feitas pela Câmara à postura de isenção do governador João Doria (PSDB) diante dos protestos da cidade, já que a medida, além de isolar 30 mil moradores da região, que teriam que pagar pedágio para entrar e sair da cidade, iria impactar na economia local, interferindo no preço de serviços e produtos, além dos transportes.

Mas, assim como ocorreu com os integrantes do movimento Pedágio Não, a manifestação da agência também não tirou o foco da CEV montada pelos parlamentares para tentar impedir que a ideia seja levada adiante. O presidente do grupo, Mauro Araújo (MDB), informou ontem que pretende entrar em contato com técnicos da Artesp, avaliar os detalhes, as mudanças anunciadas no projeto, e continuar essa luta para evitar que o pedágio saia, por exemplo, da Mogi-Dutra e passe para a Mogi-Bertioga, na Vila Moraes. “O ideal seria que esse pedágio fosse construído depois do perímetro urbano, na região do posto da balança da Mogi-Bertioga”, opinou.

Ideia morta

Ao comentar o noticiário recente sobre a instalação do pedágio na Mogi-Dutra, o deputado federal Marco Bertaiolli (PSD) voltou a dizer que “essa ideia do pedágio já nasceu morta”. Ele alega que qualquer técnico sabe que esse tipo de cobrança seria justificável em um local que recebesse grandes obras, “o que não é o caso desse plano que, aliás, ninguém viu, ninguém sabe ao certo o que ele tem”. Também reafirmou que “a cidade nem podia ter deixado a audiência pública ter sido realizada”.

O parlamentar acredita também que a decisão da agência foi consequência de várias ações realizadas, como um abaixo-assinado entregue por ele ao Doria. “Ficou claro que essa ideia não vai prosperar porque o governador sabe a união de todas as forças populares e sociais da cidade contra tal medida”, completou.

Bertaiolli também cobra um posicionamento da Artesp. “Esse projeto, ninguém viu de perto, e eu tenho de dizer que a Artesp está muito mal assessorada ao encaminhar essa questão sobre Mogi”, finalizou.

Prefeito e entidades querem acompanhar estudo

O prefeito Marcus Melo (PSDB) afirma que a manifestação da Artesp demonstra que o órgão está atento ao sentimento dos mogianos, contrários ao pedágio na Mogi-Dutra, mas alega que falta clareza sobre o novo lugar que deve receber a praça de cobrança. Segundo ele, a cidade precisa se manter mobilizada. “Cobramos a desistência definitiva dessa ideia, acolhendo o que reivindicamos por várias vezes junto ao Estado. Temos de continuar atentos e unidos para sepultar de vez essa proposta”, diz

As entidades envolvidas na causa, como a Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC), reforçam a importância da manutenção do movimento Pedágio Não. Na opinião da ACMC, a instalação de pedágio precisa ser descartada oficialmente, assim como é fundamental que a propositura da nova localização, como sinaliza a Artesp, seja discutida com Mogi e cidades vizinhas. “Onde é esse outro local? Não dá para comemorar enquanto não tiver posicionamento oficial da Artesp”, pontua o diretor Mohamad Issa.

A diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) entende que o posicionamento pouco esclarecedor da Artesp sobre o assunto é motivo de preocupação, principalmente porque não descarta o pedágio; apenas acena para outra localização. “Não se trata de ser no km 45 ou em qualquer outro da Mogi-Dutra ou em outra estrada. O Ciesp não concorda com o pedágio em Mogi porque causará problemas às indústrias do Alto Tietê, com impacto na geração de emprego e na economia”, afirma Renato Rissoni, vice-diretor da entidade.

O presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Mogi (Aeamc), Nelson Bettoi Batalha, critica a falta de clareza da agência. “Esse pronunciamento foi uma jogada política para desestabilizar e enfraquecer o protesto deste sábado”, enfatizou.

Local para nova praça está indefinido

Natan Lira

Apesar de a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) informar que vai propor um novo local para instalação da praça de pedágio, antes projetada para o km 45 da rodovia Mogi-Dutra (SP-88), nenhum novo endereço foi divulgado. Ontem, em nota enviada a O Diário, a agência detalhou que a escolha de um local obedece a critérios técnicos, considerando o traçado da rodovia, a segurança viária, os aspectos topográficos, geográficos, ambientais, o fluxo de veículos, as necessidades da sociedade civil, entre outros. Mas, o que interessa à população é o endereço avaliado.

Há quem defenda a ideia de que a intenção da Artesp sempre foi de pedagiar a rodovia Mogi-Bertioga. No entanto, como não houve o anúncio da esperada duplicação, a SP-88 foi utilizada como uma espécie de “bode expiatório”. Para o movimento “Pedágio Não”, essa não é uma possibilidade, porque o volume de carros na Mogi-Dutra é grande até mesmo durante a semana, enquanto a via que liga ao litoral registra maior movimento aos finais de semana e feriados.

Entre as alternativas apresentadas para minimizar o impacto está o desconto nos valores do pedágio, que poderá chegar a 10% a quem mora nos bairros vizinhos.

Os estudos técnicos para elaboração do edital do Lote Rodovias do Litoral estão em curso. Foram recebidas mais de 400 contribuições da sociedade civil nas audiências e consulta pública que estão sendo avaliadas pelos técnicos. A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) esclarece que está ciente das demandas e preocupações da região de Mogi e proporá uma nova localização para a praça e tratamento tarifário diferenciado. Com todas as possibilidades técnicas viáveis, que garantam segurança, investimentos e modicidade tarifária, os estudos serão finalizados de maneira a garantir a realização das obras previstas no programa.

A proposta

O projeto de concessão do Lote das Rodovias do Litoral foi apresentado em audiência pública no dia 21 de outubro de 2019, em Mogi das Cruzes, e contempla a Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, com melhorias previstas para a Estrada do Pavan e a Via Perimetral, além de abranger a Padre Manoel da Nóbrega/Cônego Domênico Rangoni (SP-55).

Na Mogi-Dutra, a única modificação prevista era a instalação da praça de pedágio. Já a Mogi-Bertioga será duplicada em apenas um trecho de 6,4 quilômetros, do trevo que dá acesso ao distrito de Taiaçupeba até a serra. Além disso serão implantados 22,3 quilômetros de acostamento entre Biritiba Mirim e Bertioga, rampas de escape no trecho de serra e uma nova ponte sobre o rio Guacá. Na Rota do Sol, que inclui a Perimetral em Mogi, serão construídas 10 passarelas e implantadas ainda oito pontes e viadutos, além de cinco acessos e retornos. Para facilitar a ligação com a Mogi-Bertioga, a Estrada do Pavan será duplicada em toda sua extensão de 1,4 quilômetro.


Deixe seu comentário