EDITORIAL

Mudos e perigosos

Utilizados por uma minoria, a situação dos orelhões danificados permanecerá a mesma se não houver uma intervenção direta do governo municipal. O problema acontece em vários pontos de Mogi das Cruzes, mas é ainda mais grave em ruas de calçadas estreitas, na região central, onde a manutenção dos telefones públicos se transforma em um problema de mobilidade e insegurança.

Reportagem de O Diário, publicada ontem, reúne relatos de comerciantes que reivindicam, em vão, a retirada de orelhões responsáveis por acidentes e desconfortos. Símbolo de uma era ultrapassada, a maioria desses equipamentos tem defeito ou está prestes a cair por falta de manutenção.

Dificilmente os orelhões voltarão a ter o status antigo, quando a maioria das pessoas não possuía linhas residênciais e eles eram a única alternativa para a comunicação. A prevalência da telefonia móvel determinou o fim de uma tecnologia do passado e o poder público não conseguiu agir na mesma velocidade das mudanças.

Os números divulgados sobre o uso dos telefones públicos realçam a necessidade de se intervir em um assunto que vai passando despercebido – no início deste ano, a média de uso dessas unidades é de um crédito a cada seis dias, quase quatro créditos por mês.

Ainda há um público cativo dos orelhões, como também mostra a nossa reportagem. Então, o que pode ser feito? Além da adequação dos telefones públicos parados e enferrugados, a retirada daqueles que estão em ruas muito estreitos e são ainda menos utilizados do que os demais. Uma sugestão seria a manutenção do aparato apenas em pontos de maior movimentação, como as praças, o que livraria as calçadas da barreira que compromete a mobilidade do pedestre (muitas vezes, obrigado a disputar espaço com os carros, para não trombar no equipamento).

Essas medidas, no entanto, precisam ser cobradas da operadora responsável por esse mobiliário urbano. Por si só, a operadora Vivo não irá atuar. Prova disso são os pedidos não atentidos de mogianos como Karina Teodoro dos Santos. Há dois anos, ela pede à Vivo a retirada de um orelhão existente na rua Capitão Manoel Caetano. “Quase todo dia alguém se machuca, sendo que ninguém usa o aparelho para ligar”, reclama ela. Há ainda um agravante – se alguém precisasse do orelhão, não adiantaria porque ele vive com defeito.

Se não houver uma pressão do poder público sobre uma situação que também desvaloriza os imóveis na vizinhança de um orelhão, esse cenário não irá mudar tão cedo.