ARTIGO

Muito trabalho

Laerte Silva

É certo que a independência do Brasil em relação a Portugal atraiu a responsabilidade de o país andar nos trilhos com suas próprias forças e isso veio como um encargo gigantesco, aumentando ainda mais na medida que a população cresceu. Na atualidade deve servir para que os governantes tenham consciência do papel fundamental de o Poder Executivo funcionar bem, da máquina pública ser austera e atuar pelo bem-estar social e qualidade de vida de todos.

Não é fácil agir no meio de tantas desigualdades, do elevado desemprego que cria demandas maiores no atendimento da saúde, segurança, transporte e habitação, aqui para ficar com apenas alguns dos itens fundamentais e caros ao brasileiro. O gasto público, bem por isso, precisa ser vigiado e é fundamental que existam freios, tetos de gasto para evitar que governantes metam os pés pelas mãos.

O brasileiro tem ao seu redor tanta lei, tanta portaria, enfim, é altamente “controlado” e pagador de tributos que, não fosse a corrupção, seríamos talvez uma nação de primeiro mundo. A burocracia enforca negócios, as exigências de arquivos digitais das empresas aumentam o custo da atividade porque a máquina pública, apodrecida, não tem produtividade para tratar os dados por conta própria. Não fosse o dinheiro que se esvai pelo ralo da malandragem, as coisas seriam bem diferentes.

E no momento o que nos obriga a ficar de antenas ligadas é o fato de que temos um Governo Federal em início de mandato, com grandes desafios e muito trabalho, concorrendo com as notícias entre as decisões políticas e as posturas e falas infelizes do presidente Jair Bolsonaro. Tomara que a sua equipe econômica, comandada pelo ministro Paulo Guedes, consiga tocar os ajustes necessários ao desenvolvimento, porque não é apenas a reforma da Previdência Social que vai salvar os cofres públicos, a reforma tributária é também um desafio e tantas vezes foi colocada em discussão sem que de fato tenha dado curso ao estímulo forte e consistente aos investimentos.

No meio desse balaio é também importante que possamos adiante contar com uma outra reforma, a política. Hoje temos uma estrutura legislativa cara em todos os níveis e de baixa qualidade. Quem sabe – sonhar é preciso – tenhamos adiante uma classe política mais acreditada e menos problemática que permita ao Brasil sair do discurso e partir para a defesa plena das necessidades da população e menos das legendas que buscam seu naco de poder.

Laerte Silva é advogado

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