Mulher de Eduardo Cunha vira ré na Lava Jato

Claudia Cordeiro Cruz teria se beneficiado de propina. (Foto: Arquivo/ Agência Brasil)
Claudia Cordeiro Cruz teria se beneficiado de propina. (Foto: Arquivo/ Agência Brasil)
O juiz federal Sergio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato, aceitou nesta quinta-feira (9) a denúncia apresentada contra Cláudia Cordeiro Cruz, mulher do presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Com a decisão, ela vira ré na Operação Lava Jato. Cruz foi denunciada sob acusação de lavagem de dinheiro e evasão de divisas de valores que seriam provenientes de desvios na diretoria internacional da Petrobras. “Dinheiro público foi convertido em sapatos e roupas de grife”, declarou o procurador da República Deltan Dallagnol, um dos coordenadores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Segundo os investigadores, Cruz se beneficiou de parte da propina de US$ 1,5 milhão que Eduardo Cunha teria recebido para viabilizar a compra, pela Petrobras, de um bloco para exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011.

O negócio foi fechado por US$ 34,5 milhões, dos quais US$ 10 milhões – quase um terço – teriam sido repassados como propina. A Petrobras acabou não encontrando petróleo no local.

O dinheiro, de acordo com o relato dos investigadores, passou por dois trusts e uma offshore, ambas em nome de Cunha, segundo os investigadores, antes de chegar a uma conta na Suíça chamada Köpek – controlada por Cruz.
Cerca de US$ 1 milhão desta conta foram usados para pagamentos de cartão de crédito em nome da offshore e escolas para os filhos do casal no Reino Unido e nos Estados Unidos, ao longo de sete anos (2008 a 2014).

Além de Cruz, também foram denunciados o empresário português Idalecio de Oliveira, proprietário da CBH (que controlava o campo de petróleo); o lobista João Augusto Rezende Henriques, operador do PMDB, segundo a investigação; e o ex-diretor internacional da Petrobras Jorge Zelada. Eles irão responder pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As investigações continuarão em relação a Daniele Ditz, filha de Eduardo Cunha.

Outro lado
O advogado responsável pela defesa de Cláudia Cruz, Pierpaolo Bottini, afirmou que sua cliente “responderá às imputações como fez até o momento, colaborando com a Justiça e entregando os documentos necessários à apuração dos fatos”.

Em nota, reiterou que ela “não tem qualquer relação com atos de corrupção ou de lavagem de dinheiro” e que não conhece os demais denunciados, nem participou ou presenciou negociações ilícitas.
A defesa de Jorge Zelada, ex-diretor da Petrobras, afirmou à reportagem que desconhece o conteúdo das acusações e que, quando ele for intimado formalmente, apresentará seus argumentos para refutá-las. A reportagem não conseguiu contato com os demais citados na denúncia.